imagem: sobrecapa do volume 1 de Spectreman em destaque, segurado por uma mão. ao fundo uma estante com vários mangás.

Resenha | Spectreman | Volume 1 (Pipoca & Nanquim)

Às ordens! O grande herói da Nebula 71 está de volta para proteger a Terra contra a poluição e as criaturas bizarras de Dr. Gori.

Aproveitando o embalo de publicações ligadas ao gênero tokusatsu no Brasil, a editora Pipoca & Nanquim não perdeu tempo e lançou no final de novembro de 2021 o primeiro volume do mangá de Spectreman, o herói gigante que passou por aqui, a partir de 1980, pelas emissoras TVS do Rio de Janeiro (atual SBT Rio), Record e SBT.

Pode-se dizer que a série tokusatsu cativou duas gerações, sendo que a última acompanhou o auge de Jaspion e Changeman na extinta Rede Manchete, uma vez que Spectreman estava em sua última reprise na emissora de Silvio Santos.

Agora o mangá tem a missão de renovar o legado do androide da Nebula 71 e apresentar suas clássicas aventuras nos quadrinhos japoneses para antigos e novos fãs. Serão quatro volumes, seguindo a nova publicação da Kadokawa Shoten – com periodicidade bimestral.

Antes de tudo, vale frisar que a Pipoca & Nanquim manteve a fidelidade do texto publicado há mais de cinco décadas. Portanto, os nomes originais também serão mantidos nesta resenha (com os nomes adotados na dublagem clássica entre parênteses).

Assim como seu contemporâneo Kamen Rider, o mangá de Spectreman foi publicado durante a exibição da série de TV, que ia ao ar semanalmente nas noites de sábado pela Fuji TV. Aliás, é preciso que se diga que inicialmente a série era apresentada como Gori, o Simioide Espacial (Uchuu Enjin Gori). Ou seja, tecnicamente o protagonista da trama era o vilão (!), pelo menos nos primeiros 20 de um total de 63 episódios.

O herói-título é uma criação do ilustrador Daiji Kazumine (1935~2020; criador de National Kid) e do roteirista Souji Ushio (1921~2004; pseudônimo de Tomio Sagisu). A dupla é responsável pelo conceito da trama que conhecemos na TV, mas é no mangá onde há complementos e algumas diferenças.

Imagem: Cenas com Dr. Gori e Lah.
A rebelião de Dr. Gori e Lah | Foto: Lídia Rayanne.

O primeiro episódio de Spectreman foi ao ar em 2 de janeiro de 1971, a primeira série daquele ano que foi marcado por clássicos do gênero como Kamen RiderO Regresso de Ultraman e Mirrorman. Já os dois primeiros capítulos foram publicados na edição de fevereiro de 1971 da revista Bouken-ou (lançada em 8 de janeiro daquele ano).

Nota: As datas em parênteses são referentes aos lançamentos originais das edições, que aconteciam cerca de um mês antes. Tais detalhes são importantes para a conexão com as datas de exibição dos episódios da série de TV.

Todas as vinte páginas de Gori, o Simioide do Espaço (o título do primeiro capítulo é igual ao nome de origem da série) são todas coloridas, seguindo o tradicional formato emonogatari (história ilustrada). Lá podemos conferir como Dr. Gori e seu inseparável escudeiro Lah (Karas na dublagem brasileira) escaparam do Planeta E (Épsilon) – algo não contado em detalhes na série televisiva.

O prólogo continua no segundo capítulo, intitulado Hedoron, o Monstro do Lodo e baseado nos dois primeiros episódios da série de TV. Diferentemente do que conhecemos, vemos Jouji Gamou (Kenji) já como integrante da Secretaria de Controle de Poluição da Metrópole de Tóquio (Laboratório de Pesquisa da Poluição). Seus companheiros de trabalho são apenas o Chefe Kurata e Rie (Minnie).

O trio investiga sobre o caso de uma cidade que se transformou misteriosamente em um deserto. Jouji encontra um garoto que sobreviveu ao ataque do monstro gigante Hedoron (Hydrax). É daí onde vemos pela primeira vez a interação entre Jouji com a Nebula 71 (a voz dos Dominantes), para se transformar em Spectreman e logo então salvar o dia.

Este capítulo teve um considerável tom de drama e terror, em comparação aos dois primeiros episódios da série tokusatsu. Vale aqui citar que o mangá compensou o fato de Spectreman ter enfrentado o gigante Hedoron em tamanho humano, devido a uma questão de cronograma das filmagens.

Imagem: Cenas da transformação de Spectreman no mangá.
Jouji Gamou em sua primeira transformação como Spectreman | Foto: Lídia Rayanne

A edição de março de 1971 da revista Bouken-ou (lançada em 6 de fevereiro do mesmo ano) contou com o terceiro capítulo Galeron, o Monstro Fóssil, que originalmente serviria de base para os episódios 9 e 10 da série de TV, o que acabou não acontecendo.

A única mudança em relação à ideia original foi a origem do monstro Galeron. Ele seria um monstro vindo do Planeta E, mas acabou sendo apresentado como um monstro da pré-história, despertando depois de vários anos sob o domínio de Gori. Inclusive, Galeron é um monstro que jamais apareceu na série de TV. Já o capítulo teve um desfecho comovente, aos moldes dos quadrinhos japoneses.

O quarto capítulo é Dustman, o Monstro do Lixo, que saiu na edição de abril de 1971 da revista Bouken-ou (lançada em 6 de março do mesmo ano). A aventura serviu de base para o arco A Terrível Transformação, mais precisamente nos episódios 11 e 12 de Spectreman (exibidos originalmente em 13 e 20 de março de 1971).

O capítulo é focado no humano Okada, que foi transformado no monstro Dustman, graças a uma misteriosa fumaça poluente. O mangá apresenta significativas diferenças. Por aqui, Okada aparece como um operário de solda, ao contrário da série de TV onde ele era um motorista de caminhão de lixo.

Sua transformação e principalmente seu visual são mais detalhados. Isso sem mencionar que o enredo familiar ficou mais emocionante nas páginas do mangá.

Nezbardon, o Monstro de Duas Cabeças é o quinto capítulo, desta vez publicado na edição de primavera da revista sazonal Bessatsu Bouken-ou (lançada em 8 de março de 1971). A trama é fielmente baseada no arco O Monstro Bicéfalo (episódios 9 e 10 de Spectreman – exibidos em 27 de fevereiro e 6 de março de 1971, respectivamente), com direito a referências e, é claro, alguma ou outra diferença.

Os dois episódios da TV tiveram uma pegada bastante sombria. No mangá, a trama é muito mais assustadora, mas sem deixar de lado o bom humor depois de tanta catástrofe, preservando até uma significativa frase dita pelo Chefe Kurata.

Publicado pela edição de maio de 1971 (lançada em 6 de abril de 1971), o capítulo Neo Hedoron, o Monstro Regenerado é praticamente fiel ao arco Um Cérebro para o Medusoide (episódios 13 e 14 de Spectreman, exibidos em 27 de março e 3 de abril de 1971, respectivamente), um dos mais frenéticos da série.

Dr. Gori cria um novo Hedoron (Medusoide) ainda mais poderoso que o anterior. Mas ele precisa de inteligência para se tornar um perfeito monstro assassino. Ou como diria o narrador da série de TV, “um monstro com a mente de um gênio“.

Imagem: Capa japonesa de de 'Gori'.
Página com a divulgação da série Gori, o Simioide Espacial, exibida originalmente pela Fuji TV | Foto: Lídia Rayanne

Os três últimos capítulos deste primeiro volume foram publicados originalmente pela Shounen Champion, servindo como expansão da série para os quadrinhos japoneses. Mognetudon, o Monstro Sísmico, foi publicado na edição 20 da revista semanal, de 10 de maio de 1971 (lançada em 13 de abril do mesmo ano).

Este capítulo foi publicado durante a exibição do arco em que foi baseado, O Dia em que a Terra Estremeceu (episódios 15 e 16 de Spectreman, exibidos em 10 e 17 de abril de 1971, respectivamente) e mostra Mognetudon (Silonetaux), o monstro gigante que é uma mistura de toupeira com bagre que causa um grande terremoto que quase matou a família de Kurata.

Quem viu os episódios na TV sabe que Nebula retrocedeu o tempo e fez com que o terremoto nunca tivesse acontecido. O desfecho no mangá é diferente e imprevisível, digno de um deus ex machina.

Thunder G, o Monstro Baleia foi um capítulo publicado em duas partes pelas edições 21 e 22 da Shounen Champion, de 17 e 24 de maio de 1971 (lançadas em 20 e 27 de abril do mesmo ano), respectivamente. É uma adaptação do arco Delírios de um Pescador (episódios 17 e 18 de Spectreman, exibidos em 24 e 31 de abril de 1971).

Assim como na TV, o garoto Susumu teve seu pai assassinado pelo monstro Thunder G (Baletrônico). Só que ao invés de querer vingá-lo, ele odeia Spectreman por um motivo específico. O mangá deu mais liberdade criativa aos mostrar o monstro absorvendo energia de Tóquio durante a noite. Ficção científica pura e tais efeitos de luz seriam impensáveis para uma série tokusatsu da época.

E o capítulo que encerra este volume é Zorolander, o Monstro Desmontável, publicado pelas edições 23 e 24 da Shounen Champion, de 31 de maio e 7 de junho de 1971 (lançadas em 4 e 11 de maio do mesmo ano), respectivamente.

A publicação chegou ao ponto em que nem mesmo os monstros que surgiam nos arcos duplos da TV estavam suprindo a periodicidade mensal da Bouken-ou e nem a semanal da Shounen Champion. No caso de Zorolander, ele é o primeiro monstro exclusivo da revista semanal e foi criado por Kazumine para fechar essa lacuna.

Zorolander é um monstro que tem a capacidade de desmontar seu próprio corpo para se regenerar em seguida. Tal concepção seria difícil de ser trabalhada em uma série tokusatsu daquela época.

A Pipoca & Nanquim produziu um material com muito esmero, incluindo bibliografa visual, comentários sobre cada capítulo, enciclopédia dos monstros da série tokusatsu e até uma entrevista com Daiji Kazumine, realizada em 2018. Isso sem contar com capas coloridas e até banners de divulgação da exibição da série na Fuji TV.

Spectreman é mais uma daquelas publicações clássicas que não podem faltar na prateleira. Para quem era da época da exibição da série na TV brasileira, será praticamente como uma viagem no tempo ao ver o herói em antigas e “novas” aventuras. Os mais novos também irão curtir o material, que é um chamariz para conferir a série clássica.

E não é à toa que o primeiro volume foi o quadrinho mais vendido da Amazon ainda na pré-vendaSpectreman ainda tem muita força para atravessar gerações.

O segundo volume será publicado no dia 31 de janeiro. Não percam a próxima resenha de… Spectreman… man… man… man… man…!

Confira mais imagens da edição:

 

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O texto presente nesta resenha é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.

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