Quando a adaptação em animê de Spy x Family foi anunciada, o título já era conhecido e apreciado dentro da bolha otaku. A obra original é um mangá escrito e ilustrado por Tatsuya Endo, sendo publicado no Brasil pela editora Panini.

A história segue Twilight, um espião que precisa formar uma família a fim de executar uma missão. Para isso, ele assume a identidade de Loid Forger, adota uma criança e se junta a uma funcionária do governo que irá fingir ser sua esposa. A família Forger tinha tudo para ser completamente normal e o disfarce perfeito, se não fosse pelo pequeno detalhe de que a esposa, Yor, é uma assassina e a filha, Anya, uma criança telepata.

imagem: pôster da segunda parte de spy x family.

Divulgação: W/CW/A.

Spy x Family pode, com certeza, como o próprio título sugere, ser colocado na lista de “animês de família”. Aquelas histórias divertidinhas e gostosas que servem para fazer a gente relaxar e “curar o coração”. Algo numa pegada um pouco Amaama to Inazuma, embora os enredos de ambos sejam bem diferentes.

A primeira temporada do animê foi dividida em duas partes: uma exibida de abril a junho e outra de outubro a dezembro.

Animado pelos estúdios WIT e CloverWorks, a adaptação contou com as aberturas interpretas pelas bandas Official Hige Dandism e Bumpf of Chicken e os encerramentos pelos cantores solo Gen Hoshino e Yama — inclusive, esse foi um dos acertos do desenho, as músicas eram boas e as animações bonitas, casando muito bem com todo o clima da série.

Ainda assim, provavelmente o carro-chefe do animê é o carisma dos personagens e a maneira como as diferentes personalidades de cada um deles é bastante visível em pequenos detalhes, por exemplo, a maneira que eles falam.

O Loid é perfeito em tudo que faz. Ele tem uma aparência visual perfeita, impecável, sabe fazer absolutamente qualquer coisa e fala um japonês perfeito também, que se adequa a cada situação específica.

A Yor, por outro lado, apesar de ser muito forte fisicamente, é um pouco insegura e bastante formal. Por isso, ela fala de forma educada até com a Anya, que é uma criança.

A Anya, por sua vez, é a grande agente do caos do desenho. Esperta e espevitada, a garotinha é extremamente empolgada com a ideia de ter um pai espião e uma mãe assassina. Por causa da pouca idade — talvez inferior à que diz ter — e da personalidade excêntrica, ela erra algumas palavras ou usa um vocabulário pouco comum para uma criança, o que gera bons escapes cômicos.

imagem: anya maravilhada em cena do desenho.

Reprodução: W/CW/A.

Por falar em Anya, a personagem é o brilho da história. Ela é fofa e engraçada, sendo responsável pela produção de serotonina — ou seria melhor serotoanya? — do expectador. Um dos detalhes mais divertidos da construção dela é o fato de que, na versão em japonês, ela chama o pai dela de chichi e a mãe de haha, que são palavras usadas para falar sobre os seus pais mas não com eles. Esse pequeno fato dá um toque de excentricidade para a personagem e pontua tanto o fato de ela não saber muito bem como agir de acordo com o senso comum social quanto à distância que existe entre ela, o Loid e a Yor, uma vez que eles não são uma família de verdade.

Em relação ao clima geral do animê, a gente pode dizer que os três protagonistas funcionam muito bem juntos. É bem legal acompanhar como a relação deles vai se desenvolvendo e como essa relação vai saindo um pouco do controle: o trio começa lentamente a se ver como uma família de verdade, ainda que os adultos tentem lembrar a si mesmos que isso não deve acontecer.

imagem: família forger em passeio com twlight levando pães, anya derrubando um sorvete e yor assustada (em fundo amarelo).

Divulgação: W/CW/A.

Existe um fio condutor narrativo maior do que a família Forger percorrendo a história, mas parece estar lá mais para ser algo que mantém a narrativa caminhando do que para ser o maior atrativo da trama.

Em outras palavras, existe um enredo macro que pode vir a incutir um pouco de seriedade aos acontecimentos conforme a história for caminhando, mas no geral a graça da história é o cotidiano da família Forger mesmo. Esse plano de fundo talvez faça, em algum momento, que o Loid e a Yor tenham de dar uma de Sr. e Sra. Smith, mas até lá dá para apenas curtir o passeio.

Talvez um aspecto não tão legal da animação é que às vezes ela pode ser um pouco enjoativa. Como, geralmente, cada episódio adapta duas “historinhas” do mangá, algumas vezes a historinha não é tão legal ou é de alguma personagem com quem o espectador não se importa muito. Fica parecendo meio aqueles capítulos especiais de mangá, que apresentam uma historinha meio aleatória, mas que funcionam como quadrinho por causa da quebra que o início e o fim de capítulo concedem.

Mesmo assim, no geral, é bastante divertido assistir a Spy x Family. Acompanhar as aventuras da Anya na escola, a interação entre a família Forger, as missões do Loid e as mudanças de humor da Yor do modo “normal” para o modo assassina. Tudo isso enquanto o Loid tenta cumprir sua missão secreta e manter a paz entre o Leste e o Oeste do país e alguns outros personagens aparecem para completar a bagunça.

Fofo e um tanto engraçado, Spy x Family é muito agradável de assistir. O clima familiar fez muita gente reproduzir a piada de que Spy x Family é um “animê Shinzo Abe” — um para fazer os japoneses quererem voltar a ter filhos e constituir família –, mas é preciso pontuar: se Spy x Family é um animê que dá vontade de constituir família, ao menos ele é um bom animê de constituir família.

 

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SPY x FAMILY foi exibido em modelo simultâneo à transmissão japonesa pela Crunchyroll, possuindo também dublagem em português — empresa fornece ao JBox um acesso à plataforma. A segunda temporada já foi anunciada.


O mangá que inspira a trama é publicado no Brasil pela editora Panini e tem seus novos capítulos postados oficialmente em modelo simultâneo em português na MANGA Plus.


O texto presente nesta resenha é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.