Resenha: 07-Ghost Volume 1 – Editora Panini

Mangá com “gostinho” de Clamp.

O mangá 07-Ghost é uma criação de Yukino Ichihara e Yuki Amemiya, que curiosamente começaram suas carreiras como mangakás formando um círculo de produção de doujinshis (o equivalente japonês aos nossos fanzines) shounen-ai/yaoi de Naruto (são mais de 20 doujinshis!! 0_0U) e acabaram publicando seu próprio mangá.

07-Ghost é a obra de estreia da dupla e no momento conta com 11 volumes encadernados e uma edição extra chamada 07-Ghost Children com histórias curtas. O mangá é publicado na revista Comic Zero Sum (que é a casa de Loveless e di[e]ce) da Ichijinsha (que é uma antologia josei) e fez sucesso imediato entre os leitores da antologia ganhando rapidamente um DramaCD. Em abril de 2009 a série foi adaptada em anime produzido pelo Studio Deen que rendeu 25 episódios.

O mangá conta a história do jovem Teito Klein, um orfão desmemoriado. Teito era um escravo, mas como possui habilidade com o poder Zaiphon foi levado para a Academia Militar de Barsburg para aprender a usar suas habilidades e futuramente se tornar um Begleiter. Na véspera de sua formatura, Teito faz uma promessa de amizade com o colega Mikagi, seu único amigo na academia, já que todos os outros estudantes o desprezam por ser um ex-escravo.

No dia do teste final ambos caem no mesmo grupo e têm que usar suas habilidades de Zaiphon para eliminar um criminoso de alta periculosidade, e claro que Teito se recusa a matar alguém sem ter um motivo real. Então o general Ayanami aparece, mata o criminoso e chama Teito de covarde. O jovem fica chocado com essa pessoa que ele parece conhecer de algum lugar. Algum tempo depois quando Teito se encontra novamente com Ayanami suas memórias começam a voltar e ele lembra que quando ele era criança foi o general quem matou seu pai que era o rei do Reino de Raggs e o ataca, mas é rapidamente contido e preso em uma cela dentro da academia.

Com a ajuda de Mikagi, Teito consegue fugir da cela e usa um Hawkzilla (espécie de motocicleta aérea) para escapar do lugar. Ayanami percebendo usa seu Zaiphon para destruir o Hawkzilla em que Teito voava e com isso ele despenca de uma grande altura (os continentes são suspensos nas nuvens por Zaiphon nesse planeta) e acaba caindo em cima de Frau, um dos bispos do Sétimo Distrito de Barsburg. Por sorte o Sétimo Distrito está fora do alcance do poder dos militares e eles não podem fazer nada para ameaçar Teito enquanto ele se encontra ali.

Dentro do Mosteiro Teito começa a descobrir sobre o passado: haviam dois reinos, um chamado Barsburg e outro chamado Raggs e há mil anos atrás “Deus” presenteou os dois reinos, Barsburg com “O Olho de Raphael” e Raggs com “O Olho de Mikhael”, duas grandes fontes de poder, mas dez anos atrás Raggs atacou Barsburg atrás do “Olho de Raphael”. Com isso houve uma guerra e Raggs foi destruído e “O Olho de Mikhael” foi perdido durante a guerra.
Nem preciso dizer quem não sabe que esconde “O Olho de Mikhael” e é o príncipe herdeiro do reino de Raggs nem que o Mosteiro esconde grandes segredos dentro dele e há um grande mal à espreita.

A arte do mangá é bem diferente do que se costuma ver nas bancas atualmente. O traço é bem puxado pro yaoi (vide o background das autoras) e me lembrou muito mesmo do traço do Clamp nos anos 90 (fica entre Guerreiras Mágicas de Rayearth e X). O único problema na arte a meu ver foram as lutas, é quase impossível saber o que se passa nelas, é tudo muito ágil e cheio de “ventinhos mágicos”. Só fui entender o que se passa durante algumas batalhas vendo o anime (mais que recomendado também).

A história é cheia de clichês, mas mesmo assim eles são bem trabalhados pelas autoras e com isso a história, apesar de ser bem comum e você ter noção de como as coisas vão se desenvolver, consegue ser bem divertida e cativante. Como eu digo, o problema não é ter clichê, o problema é não saber usá-los a favor da história.

A adaptação da Panini ficou bacana, para aqueles que dizem que a editora deixa tudo “ajaponesado demais” aviso que não há honoríficos japoneses nesse mangá. Nas notas de tradução há a explicação: não foram mantidos os termos por se tratar de uma história cujo cenário não é o Japão. Já estou prevendo as lágrimas negras da comunidade otaku brasileira. Na minha opinião isso é o correto a se fazer e a Panini ganhou um ponto comigo, teria ganhado mais não fosse o “Teito-kun” no segundo quadro da página 158. Pelo menos dessa vez não tem nenhum erro de ortografia na capa (XD).

Para aqueles que odeiam simplesmente escutar a palavra yaoi passem longe do mangá, não há nenhum fanservice real nele, mas o clima da história é bem “suspeito”: amizade entre Teito e Mikagi é bem parecida com Fuuma x Kamui, talvez seja este um dos motivos para o mangá me lembrar de X e outros trabalhos do Clamp (além do traço).

Falando em Mikagi, no original o nome dele era Mikage (lê-se como “mi cague”, é a mesma pronuncia), daí optaram por trocar o e por i e ficar Mikagi. Se não me engano há uma lei contra esses nomes estrangeiros com duplo sentido e eles têm que ser trocados. Peço que se alguém souber melhor sobre isso para explicar nos comentários.

A Panini optou por usar a mesma capa que a japonesa, os dois lados possuem ilustrações diferentes e as imagens das orelhas estão no verso das capas. Não há páginas coloridas e não havia na versão japonesa do tankoubon. As páginas que eram coloridas na antologia estão em preto e branco, mas não estão “borradas” como muitas vezes acontece, deu pra perceber que houve cuidado ao adaptá-las. Acredito que todo mundo detesta ver essas color pages borradas em preto e branco como é típico em alguns shoujos e nos mangás da Shonen Jump (eles são mestres nisso).

Recomendo o mangá para todos aqueles que gostam de uma história de aventura e não se importam com um clima “Clampesco”. Como já disse o fanservice “shounen-ai” (dizer fanservice yaoi seria forçar demais) só existe se você quiser enxergar aquilo, ou se você é daqueles que dá pití vendo dois garotos tendo uma amizade forte.

Apesar de ser um mangá josei vejo quase nada do gênero nele, o clima é bem shounen, cheio de batalhas e mistérios a serem desvendados (não muito diferente de um Reborn! da vida). Dessa nova leva de títulos foi o que eu mais gostei até agora.


Título: 07-Ghost
Autoria: Yuki Amemiya e Yukino Ichihara
Formato: 13 x 18, 208 páginas
Duração: 11 volumes (em andamento)
Periodicidade: Bimestral
Preço: R$9,90
Demográfico: Josei
Gênero: Aventura, Fantasia, Luta

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