A Crunchyroll agora é da Warner? Entenda o caso

Gigante de mídia compra parte de algo que já era seu.

No último dia 7 de agosto, a Warner Media divulgou um release de imprensa comunicando que a empresa AT&T (gigante das telecomunicações que hoje é controladora dos estúdios e canais da Warner) adquiriu o controle que a The Chernin Group tinha sobre a Otter Media – empresa que por sua vez já era uma joint venture entre a própria AT&T com a Chernin, e que possui entre seus controles o serviço de streaming da Crunchyroll. Confuso? Bastante até.

Para entender até onde chegamos, precisamos dar uma breve recapitulada na história da própria Crunchyroll. Caso você não saiba, a Crunchy surgiu como um site que distribuía animes ilegalmente lá no já distante ano de 2006, usando legendagens feitas for fãs para integrar o catálogo de streaming. O negócio cresceu ao ponto de ter mais de 4 milhões de visitantes únicos, o que chamou a atenção de uma tradicional empresa investidora de capital, a Venrock. Em 2008, a Venrock teria investido mais de 4 milhões de dólares no serviço, que naquele mesmo ano exibiria sua primeira produção autorizada: um anime feito em Flash chamado Eagle Talon The Movie.

Apesar de incomodar empresas japonesas (afinal de contas, estamos falando de pirataria recebendo investimento milionário), foi o ponta pé inicial para que estúdios oficiais abrissem o olho e se mexessem para transformar tudo em algo oficial. Foi quando o Gonzo, por exemplo, e até a TV Tokyo entraram na jogada, e logo a Crunchyroll se tornou um serviço de streaming legalizado, removendo todo o conteúdo pirata. O grande marco veio no começo de 2009, na parceria com a emissora japonesa que garantiu a transmissão totalmente oficial dos episódios de Naruto Shippuden.

Naruto Shippuden (2007), marco na parceria da TV Tokyo com a Crunchyroll

Daí pulamos para o ano de 2013, quando entra um dos nomes citados no rolo do nosso primeiro parágrafo: a The Chernin Group. Essa empresa se tornou a controladora majoritária da Crunchyroll, em uma negociação que teria girado em torno de 100 milhões de dólares, segundo divulgação da Reuters.

No ano seguinte, mais uma mudança significativa. A Chernin se juntou com a AT&T pra montar outra empresa: a Otter Media. Essa empresa passaria a ser a controladora majoritária da Ellation, que cuida da Crunchyroll – que ainda tinha partes que pertenciam a outras, como a TV Tokyo já citada aqui. No fim das contas chegamos a janeiro de 2018, quando a Otter Media passou a não ser somente a majoritária, pra ser dona do negócio inteiro, comprando as partes restantes das demais.

Resumindo: a Crunchyroll estava sob controle total da Otter Media, uma empresa formada pela The Chernin Group junto com a AT&T. O que mudou agora? A AT&T pegou a parte da Chernin, assumindo controle total da Otter Media. E onde que entra a Warner nisso tudo? Desde 2016 a AT&T negociava a compra bilionária da Time Warner, o que acabou se concretizando recentemente, no último mês de junho – embora ainda esteja gerando confusão nos Estados Undos, com apelações na justiça a respeito de princípios fundamentais da economia. No release de ontem, é dito que a Otter Media passa a fazer parte da unidade da Warner Media, mas continua com o mesmo CEO.

Aparentemente, para quem consome o serviço da Crunchyroll as coisas vão continuar do mesmo jeito. Ao JBox, Yuri Petnys (gerente de marketing do serviço brasileiro) comentou: “Nada muda. Desde 2014, a Otter Media já era acionista majoritária da Ellation (empresa que desenvolve a Crunchyroll e o VRV), e tornou-se a única dona da Ellation em janeiro deste ano. Ao anunciar que está comprando a parte do Chernin Group na Otter Media, a AT&T está reafirmando seu investimento em serviços que atendam da melhor maneira possível públicos específicos, como o otaku (Crunchyroll) e o geek (VRV).

O supracitado VRV é outra plataforma de streaming, que surgiu em 2016 e entra nesse “pacote”. O assinante mensal tem acesso ao conteúdo de vários canais, incluindo a própria “irmã” Crunchyroll e até mesmo a Funimation. Curiosamente, antes mesmo do anúncio da AT&T, o serviço já recebeu conteúdos da Warner, como o clássico dos anos 1990 Freakazoid. O VRV ainda não está disponível no Brasil.

Mob Psycho 100 (2017), série que tem a Warner como uma das produtoras é licenciada pela Crunchyroll em vários países

O interesse da casa do Pernalonga com produções japonesas não vem de hoje. “Vale lembrar que a Warner também investe pesadamente em animes no Japão, e é a distribuidora responsável por sucessos como JoJo’s Bizarre Adventure e Mob Psycho 100“, complementa Yuri. Os títulos citados inclusive são exibidos pela Crunchyroll, sendo que Mob Psycho 100 ganhará em breve uma projeção maior por aqui, com sua exibição pela Rede Brasil no próximo sábado (com dublagem em português). Um produto que tem a Warner como uma das produtoras e licenciamento pela Crunchyroll, antes de qualquer acordo maior.

No fim das contas é isso: continue assistindo seus animes, o que muda é que alguém lá em cima vai ganhar um pouco a mais que antes.

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