Angelotti Licensing fala sobre projetos de suas principais marcas

O CEO da empresa, Luis Angelotti, foi entrevistado ao vivo pelo JBox no último sábado.

No sábado do dia 4 de julho, o JBox realizou uma entrevista ao vivo com o CEO da Angelotti Licensing, Luiz Angelotti, responsável no Brasil pelo licenciamento de alguns dos animês mais populares de todos os tempos.

Na entrevista dividida em três blocos, Angelotti compartilhou com os presentes um pouco de sua história e buscou esclarecer como funciona o seu trabalho com os animês por aqui. É que muita gente pensa que ele é o “dono” das séries no Brasil e responsável por negociações com emissoras, serviços de streaming e dublagem das mesmas.

Seu papel como licenciador é promover as marcas em nosso país da melhor maneira possível, assegurando que os produtos lançados oficialmente no mercado apresentem qualidade e fidelidade aos guias de estilo (style guide), e porque não dizer  “essência”,  que cada produção possui.

Diferentemente do passado, onde todas as instâncias de uma marca ficavam sob seu controle, Angelloti também esclareceu que atualmente as próprias produtoras japonesas – ou suas representantes ocidentais – realizam as negociações para os lançamentos dos animês no Brasil e tratam de suas dublagens. Aqui, a Angelloti Licensing colabora com orientações particulares do nosso mercado, que se distingue do latino, americano e europeu.

Confira abaixo um resumo sobre o que foi comentado sobre cada franquia.

 

Os Cavaleiros do Zodíaco

A série japonesa de maior sucesso de todos os tempos no Brasil terá em breve sua loja oficial lançada, que já está pronta para ir ao ar. Sobre o remake Knights of Zodiac (a versão da Netflix), produtos licenciados derivados ainda podem chegar ao mercado no ano que vem. Houve uma demora para o recebimento de materiais para trabalhar a marca e há uma necessidade de esperar um “maior aquecimento” da série para o desenvolvimento de alguma linha.

Sobre Saintia Shô, que teve um trailer dublado apresentado na CCXP 2019, não está nos seus planos representar a marca no momento – sequer existe um style guide da série.

Entre os lançamentos recentes que tivemos com os Cavaleiros, houve a linha de produtos da Zona Criativa em março, além de novas camisetas pela Piticas e Ellus 2nd Floor. O foco do licenciamento segue o público saudosista.


Dragon Ball

A trilogia clássica da saga de Goku (Dragon Ball, Z e GT), com as produções animadas feitas nos anos 1980 e 1990, possuem possibilidades de reestrear nos próximos anos no Brasil, muito possivelmente em plataformas de streaming. Dragon Ball Z, diga-se de passagem, é um dos cases de maior sucesso da empresa.

Não por acaso, a loja oficial da série foi a primeira lançada, sendo a que possui mais possui produtos disponíveis.

Por conta da pandemia, o evento Asian Pop Party foi adiado para fevereiro de 2021. Esse tipo de produto é um formato inédito, em parceria com Eric Drummond e Tobal Junior, que seria realizado este ano tematizado com Dragon Ball Z – mas havendo previsão de 3 a 4 edições por ano, envolvendo outras séries do portfólio. A “balada geek” na casa Audio Club, em São Paulo, terá drinks temáticos, DJs, shows musicais, o dublador do Goku (Wendel Bezerra), sorteios de produtos, concurso cosplay, etc., para um público estimado entre 2 a 3 mil pessoas. A festa começa no início da noite, até virar uma balada “tradicional” de madrugada

 

Dragon Ball Super e Super Dragon Ball Heroes

Depois de sua bem sucedida passagem pelo Cartoon Network, a Toei tentou negociar Dragon Ball Super com praticamente todas as emissoras de TV aberta no país mas NENHUM canal se interessou. A dificuldade dos departamentos comerciais das emissoras em vender os intervalos comerciais de desenhos (em geral), tornam a chegada do animê nos canais abertos mais difícil.

Já a web-série Super Dragon Ball Heroes, exibida no Japão desde 2018, não possui nenhum plano de lançamento no Ocidente até o momento. Ela está vinculada à promoção de um jogo de arcade, inédito fora do Japão.


Naruto

Durante a live foi realizado o lançamento da loja oficial da marca Naruto Shippuden. O destaque dos licenciados na loja nesse momento são as figuras colecionáveis, itens de festa e fantasias.

A VIZ, distribuidora do animê no Ocidente, tem noção do pacote de mais de 300 episódios que não possuem dublagem e o desejo dos fãs, manifestados em redes sociais, é algo prontamente transmitido pela Angelotti Licensing. Há expectativa sim de que haja no futuro a dublagem da série completa, mas foram destacados alguns fatores que atrapalham o trabalho: além do processo de dublagem ser caro, o idioma praticamente só vale para o território brasileiro. Dublagens em inglês podem ser aproveitadas em vários países, o mesmo vale para a dublagem em espanhol, mas a dublagem em português torna difícil de se recuperar o investimento tendo apenas um país significativo para o idioma.

Uma dica para os fãs é seguir cobrando plataformas oficiais como a Netflix para mostrar a força do desejo dos fãs por esses episódios, tornando mais reais as chances de negociação entre a VIZ.

Boruto

Apesar da ausência de centenas de episódios dublados de Naruto Shippuden, já há expectativa para os trabalhos com Boruto, embora não seja possível confirmar uma dublagem ainda. Para a Angelotti Licensing, no entanto, agora não é o momento mais adequado para os trabalhos com a marca, que devem começar no ano que vem.


One Piece

Depois da desastrosa versão da 4Kids que não deu certo no fim dos anos 2000, a série ganha uma nova chance no Brasil com a futura estreia na Netflix. Ao todo teremos um lote de 130 episódios, com dublagem em português (ainda não se sabe se as aberturas e encerramentos ganharão versões), imagem em alta definição e, claro, sem cortes.

Há uma grande expectativa para o licenciamento da marca no país e novos produtos devem chegar em breve à loja oficial, que já está no ar. Foi apontado que as vendas da mesma surpreenderam positivamente, considerando principalmente que a série só é apresentada por aqui legendada via Crunchyroll.

Lembrando que a Netflix está produzindo uma versão live-action do animê, o que também deve ampliar a movimentação da marca.


Sailor Moon

As guerreiras com uniforme de marinheiro em breve ganharão sua loja oficial até o final do ano (se nada atrasar no planejamento!). Uma balada temática, como a que será feita com Dragon Ball, também estava nos planos antes da pandemia.

Angelotti explicou que havia um grande planejamento para série no começo dos anos 2000, mas tudo foi suspenso por conta da ordem de sua criadora – Naoko Takeuchi – que paralisou o licenciamento global da série.

A Toei Animation entende todas as questões envolvendo o título no país – desde sua estreia em 1996 na Rede Manchete, passando pela polêmica envolvendo as dublagens.

Não há dublagem em andamento, mas ela deve acontecer em algum momento para o relançamento das 5 temporadas clássicas da série. O mais provável é que seja em algum serviço de streaming mesmo, apesar de ter sido mencionada a TV aberta na entrevista concedida por Daniel Castaneda em 2018.

Sobre os licenciados na realidade atual, a aprovação é demorada e detalhista, mas houve exceção para recente coleção de camisetas da Piticas, que teve rápida aceitação dos representantes. Quanto a Sailor Moon Crystal, a série está em standby e não foi liberada ainda para licenciamento.


Black Clover

Em parceria com a Crunchyroll, a Angelloti Licensing intermediou a exibição da série na TV aberta brasileira via Rede Brasil. A marca é nova no portfólio e deveria ter produtos este ano, mas houve um atraso e as expectativas foram para o ano que vem.

Curiosamente, foi citado que a existência de produtos piratas de Black Clover é um termômetro para mostrar que há consumidores interessados.


Beyblade Burst

Mesmo com o animê contando com um expressivo número de interessados (o canal oficial do anime no YouTube soma mais de meio milhão de inscritos!), o licenciamento da marca envolve muitas empresas (como a Sunrise e a Hasbro) e, no momento, não há projetos em andamento. Os brinquedos da franquia são distribuídos diretamente pela Hasbro no país e não possuem participação da Angelotti Licensing no processo.

A agência possui uma limitação para trabalhar a marca, com poucas categorias disponíveis, não havendo nada licenciado no momento fora o que já é dominado pela Hasbro.


Digimon

Uma surpresa da live foi o regresso de Digimon ao país em 2021 – pelo menos no aspecto de produtos licenciados. O planejamento da Angelloti Licencing será no lançamento de produtos focados no público saudosista do primeiro animê (Digimon Adventure, 1999), com um valor mais alto para colecionador, tendo a disponibilidade também de uma loja oficial.

No momento, o reboot da série, lançado neste ano, não será trabalhado pela empresa (não há style guide dessa marca) e não há informações em torno de uma possível dublagem. Atualmente a série é transmitida (com legendas) via Crunchyroll, simultaneamente com o Japão.


Godzilla

O grande rei dos monstros é uma das apostas da Angelotti Licensing no gênero tokusatsu, em um contrato firmado com a Toho no ano passado. Em alta por conta dos animês (lançados pela Netflix) e produções hollywoodianas (Godzilla vs. Kong estreia em 2021), essa emblemática marca deve ter licenciados ainda este ano.

Estão previstas a vinda de figuras colecionáveis e uma linha de camisetas pela Piticas neste 2º semestre.


A live não vai ficar disponível?

Antes da live ir ao ar, chegamos a avisar aqui no site e redes sociais que a transmissão não ficaria disponível em seguida. Foi uma decisão em acordo com a Angelotti Licensing.

Porém, é possível que disponibilizemos o vídeo em breve com algumas edições. Então fiquem atentos aos próximos dias!

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