Crítica | O Regresso de Jaspion (Editora JBC)

O mangá nacional é mais que um fanservice de Jaspion. É uma verdadeira homenagem aos heróis de tokusatsu que marcaram época no Brasil.

De longe, Jaspion é a maior referência de série tokusatsu no Brasil. Por aqui, ele fez muito mais sucesso do que no Japão. Ou melhor, foi um fenômeno. O herói rendeu vários produtos lançados entre o final dos anos 1980 e o começo dos anos 1990, incluindo quadrinhos não-canônicos pelas editoras Abril e Ebal. Agora, em 2020, ano em que Jaspion completa 35 anos de sua estreia na Terra do Sol Nascente, acontece um lançamento que era aguardado há um bom tempo. E o que é melhor: com eventos eletrizantes e cheios de surpresas.

Depois de um longo processo de produção e aprovação, O Regresso de Jaspion finalmente chega ao mercado brasileiro pela Editora JBC. Aliás, o mangá nacional é sucesso absoluto desde antes do lançamento, pois foi o título mais vendido no site Amazon, logo nas primeiras doze horas da pré-venda. O roteirista Fábio Yabu e o ilustrador Michel Borges, dupla conhecida pela série de quadrinhos Combo Rangers, tiveram a árdua missão de resgatar a mitologia do herói japonês para os dias atuais. E o resultado está acima do esperado.

Imagem: Reprodução/JBC/Sato Company/Toei Company

Quem nunca imaginou como seria uma continuação de Jaspion décadas depois da batalha final contra Satan Goss, não é mesmo? Pois bem. Finalmente temos essa chance de ouro e com as bênçãos (entenda: aprovação) da Toei Company. Logo nas primeiras páginas temos uma reprodução da queda do Satanás da Via Láctea pela Espada Dourada de Daileon (formada pelo poder do Pássaro Dourado na ocasião). Obviamente, com mais liberdade de formar ângulos que seriam impensáveis para o custo de produção da Toei naquela época. O leitor tem a sensação de estar diante de um episódio estendido de Jaspion, com direito à abertura, narração e até linhas de eyecatches (vinhetas de intervalo) passando no rodapé da imagem.

Após cerca de 30 anos, Jaspion aparece praticamente do mesmo jeitão do começo da série. É como se o tempo não passasse para ele. Até mesmo uma releitura de uma famosa cena, que abre os novos eventos, faz com que essa impressão seja mais nostálgica. A jornada de Jaspion começa quando ele fica sabendo sobre a descoberta de uma pedra de uma nova Bíblia Galáctica. A escritura fala sobre a aparição de um falso salvador, trajado de uma armadura prateada, que irá ressuscitar Satan Goss. E nem mesmo o poder do Pássaro Dourado seria capaz de derrotá-lo mais uma vez.

Imagem: Reprodução/JBC/Sato Company/Toei Company

A partir de então, Jaspion retorna para a Terra e segue a pista sobre a possível ressurreição de Satan Goss. Ele descobre que a Terra não é a mesma de antes, tanto pela tecnologia avançada quanto pelo fato da doutrina do demônio ser pregada com a promessa de “salvação eterna”. Se você lembrou de Kilmaza, acertou. Da mesma maneira em que a vilã apregoou o “evangelho” de Satan Goss nos planetas Zobo e Sweet, a irmã de Kilza pretende amaldiçoar a Terra com este mesmo propósito e com uma nova estratégia. Ou seja, seria mais ou menos como a vinda do anticristo diretamente das trevas galácticas. Para detê-lo, Jaspion conta com a ajuda de antigos aliados como Boomerman, John Tiger e até mesmo um personagem inesperado. E como não poderia faltar, MacGaren retorna do inferno para tentar dominar a Via Láctea.

Vale lembrar que o projeto inicial de O Regresso de Jaspion tinha a intenção de inserir personagens de Changeman e Flashman, mas isso se tornou inviável pelo fato das séries pertencerem à Hasbro – a nova detentora de Power Rangers. Ou seja, nenhum personagem da franquia Super Sentai pode ser utilizado. Em compensação, temos uma referência de uma dessas séries na trama. E isso não é tudo. Quem assistia as séries tokusatsu na época da Manchete vai curtir e se arrepiar com referências a personagens e elementos. Inclusive, quem for um bom observador, vai associar uma homenagem a um veterano ator das séries Metal Hero.

Imagem: Reprodução/JBC/Sato Company/Toei Company

O Regresso de Jaspion é um fanservice que vai além da série de TV, equilibrando comédia e drama. Mesmo com a trama se passando no Japão, alguns momentos têm um toque brasileiro em alguns diálogos. Claro, respeitando a essência que o Tarzan Galático representa – especialmente para o público brasileiro. Apesar de ter ficado sisudo do meio da série até o fim, o herói é tratado no mangá como aquele bom e velho Jaspion dos primeiros episódios. Brincalhão, metido em confusão, fazendo caras e bocas e por aí vai. Só que vemos também seu lado mais humano nos momentos de conflito. Veremos também a evolução de Anri na trama, provando ser digna de fiel escudeira do nosso herói.

Não tenha dúvida: O Regresso de Jaspion é uma sequência que vai agradar em cheio os saudosistas. O material vale cada centavo e a leitura é obrigatória para os fãs do herói metálico. Impossível ler os balõezinhos sem imaginar as vozes dos dubladores clássicos. A história presta homenagem não só ao campeão da justiça como também aos heróis que fizeram história na “Geração Manchete”, dando a entender que algum outro personagem pode ter chance de aparecer numa possível segunda edição. É um momento épico que provavelmente será lembrado por mais trinta e poucos anos, não apenas por isso, mas também pelas mensagens de paz e união que são transmitidas com muito mais intensidade no mangá.

Descrever a nova aventura de Jaspion ainda é pouco e o que foi escrito aqui não é nem trinta por cento do que representa esse fantástico mangá (sem trocadilho). Valeu a pena esperar e já estamos no aguardo de uma nova jornada.

Come on, boy!

PS: O Regresso de Jaspion tem extras como galeria de personagens, making of e depoimentos. Imperdível!


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