Exclusivo: Entrevista com Thiago Garcia, CEO do canal Loading

Segundo Thiago, o DNA da marca é a inovação e a proposta é distribuir conteúdo de forma democrática, para todos.

Recentemente, foi anunciado um novo projeto multiplataforma voltado para o público jovem, o Loading, contando com TV aberta, por assinatura e streaming. Já foram confirmados animês e tokusatsu na programação. O JBox entrevistou o CEO, Thiago Garcia, para mais informações. Confira a seguir.


Conte um pouco a origem da Loading e como nasceu a ideia de ter um canal televisivo.

Thiago: É um prazer falar com vocês do JBox! A Loading surgiu de uma convergência de 3 frentes:

A primeira delas é que o grupo Kalunga tinha a concessão do antigo canal da MTV, adquirido em leilão público. Logo, existia a infraestrutura para o projeto e principalmente o sinal.

Uma outra frente é a expertise do CEO da startup, Thiago Garcia, ex-líder de consumer insights da Rede Globo e que estudou e estuda o mercado de produção e distribuição de conteúdo exaustivamente há anos. Com o conhecimento técnico do Thiago identificamos uma grande oportunidade no mercado devido o público jovem de espírito estar mal representado nos meios atuais. Ninguém fala com esse jovem com relevância.

A terceira frente é o amor que todos os profissionais que estão na operação tem por esses conteúdos. O respeito pelas produções e pelos fandoms. Por que, o que conecta mesmo as pessoas e o que vai fazer com que elas assistam a programação, é a paixão com que a gente faz a curadoria de todo esse conteúdo. Não existe como você falar com essas comunidades hoje, sem você tratar o conteúdo muito bem. Se você não honrar os fandoms, você não consegue fazer parte dessas comunidades. Por isso que somos nós que buscamos nos adequar a eles, entendendo o que eles querem. O que eles gostam. Como que eles querem consumir o conteúdo. É uma abordagem human-centric.

A convergência dessas três frentes: infraestrutura, conhecimento do comportamento do público e o amor que a gente tem pelo conteúdo é a receita para a Loading nascer.

 

Com tantas notícias sobre “o fim da TV” e a “era do streaming”, por que investir em sinal aberto e não só streaming?

Thiago: A gente fala sobre o fim da TV e a era do streaming, mas esquecemos que a população brasileira majoritariamente não tem uma conexão de qualidade com a internet para ter uma boa experiência em uma plataforma de streaming. Ou simplesmente não quer gastar banda com isso. Sendo assim, o streaming, como meio, não é nada democrático no Brasil. A Loading chega como uma solução de entretenimento também para esse público que hoje está totalmente desassistido. Não só em relação ao conteúdo mas em termos de acesso também. A realidade do país é muito diferente do que a gente imagina e infelizmente o streaming é uma realidade para uma parcela ainda pequena da população.

Por isso que a Loading estar na TV aberta é uma forma de democratizar o acesso a um conteúdo que hoje, em grande parte, só é possível ser consumido na internet. É dar pertencimento às pessoas. Pertencimento às comunidades de fãs. Não importa a condição financeira. A Loading existirá para todos. Sem que ninguém precise pagar por ela. Conteúdo livre para todos.

 

A estética e linguagem da MTV Brasil marcou uma geração e fez escola para comunicação com o público jovem na história da TV. O que podemos esperar na Loading nesse sentido para torná-lo um canal diferenciado e atraente para uma audiência que consome cada vez menos conteúdos de forma linear?

Entrada da antiga sede da MTV Brasil, agora ocupada pela Loading | Foto: Reprodução/Minuto HM

Thiago: A Loading não é só um canal de TV, e sim uma startup de entretenimento multiplataforma (linear e não linear). E para ter uma consistência em diversos canais a linguagem necessariamente precisa ser um dos pilares da nossa operação. Geralmente a comunicação é criada baseada na média da população. Ou seja, as mensagens são pensadas para conversar com o mainstream. É uma abordagem mais generalista, pois facilita o entendimento do maior número de pessoas possível.

O grande diferencial da MTV Brasil foi justamente entender essa agenda e quebrar o paradigma, pensando no jovem. Essa é também uma missão da Loading. Está em nosso core quebrar paradigmas atuais. Entre eles, o da linguagem imposta hoje pela maioria dos meios. Porém vamos fazer com o nosso jeito e imprimindo a nossa personalidade. Com a cara da Loading. E, claro, com foco nas comunidades de Anime, Tokusatsu, E-sports, Séries, Cinema, HQs, Colecionáveis, Games, Cartoons e K-Pop. A Loading é “Human-Centric”. As comunicações serão sempre pensadas para uma melhor experiência dos fandoms dos conteúdos que trabalhamos.

 

Pode explicar ao público o que é branded content e como ele será realizado na Loading? Por que a Loading é disruptiva para o jovem hoje?

Thiago: Um outro pilar da Loading é o foco na experiência do usuário. Em se tratando de conteúdo, toda vez que você tem uma interrupção, você cria uma ruptura na experiência do consumidor. A nossa ideia para o conteúdo de marcas dentro da nossa programação é que ele seja tão entertainment quanto o conteúdo em si. Queremos que as marcas façam parte da narrativa dos programas e de suas histórias. Que não sejam simplesmente um conteúdo exibido como interrupção da experiência do usuário. Por isso nossa proposta é ter cada vez menos breaks e cada vez mais Brand Entertainment e Branded Content. E esse é uma das grandes quebras que a Loading traz para o mercado. E um dos grandes diferenciais da Loading para o jovem e para os anunciantes.

 

Pesquisa feita pela Comscore, divulgada em julho deste ano, levantou que a categoria de jogos eletrônicos alcança 70% da população digital no País, com o Brasil sendo o único país da América Latina que figura entre os cinco primeiros no ranking global de gamers. O que esse público pode esperar na Loading?

Thiago: E-sports e Games estão em nosso DNA desde a concepção da Loading. Ela nasceu pra abraçar e dar voz para essa comunidade. E não simplesmente pela relevância que esse público tem hoje, mas sim pela Loading ser feita de apaixonados por Games. Hoje contamos com 3 editorias na operação: E-sports/Games, Conteúdo Ocidental e Conteúdo Oriental. Podem esperar muita coisa legal dentro desse universo em nossa programação. E não só um programinha isolado na grade.

Final do campeonato brasileiro de League of Legends realizada no Allianz Parque em 2015 | Foto: Reprodução/Riot Games

Qual é a estratégia para a faixa de animês e o público que curte o tema? A programação terá uma linha de shows ou um bloco específico para os amantes de séries japonesas?

Thiago: Estamos tomando muito cuidado com os animês na nossa programação, não teremos apenas uma faixa, teremos algumas faixas e focadas em diferentes públicos. É claro que para o nosso prime time (18h00 às 01h00) separamos as melhores séries! Como disse, no começo teremos vários programas, com animês diferentes em diferentes blocos com uma galera que conhece muito do assunto.

 

Os animês e tokusatsu na programação vão focar nas séries antigas ou podemos esperar títulos mais novos também? Pode compartilhar esses títulos conosco?

Kamen Rider Zi-O, 2019 (foto meramente ilustrativa) | Reprodução/Toei Company

Thiago: Essa é uma pergunta que dá pra ver o rosto de algumas figuras tarimbadas do Twitter perguntando (risos). E para alegria geral teremos séries novas e antigas. A Loading será a casa dos animês e tokusatsu. Com um tratamento que esses conteúdos nunca tiveram na TV brasileira. Intercalar as séries antigas com as novidades é uma missão importante da Loading. Os clássicos construíram uma base de fãs que hoje anseia pelo novo, mas não podemos trazer só coisas novas e deixar os outros fãs desamparados. A ideia então é fazer um mix e tratar todos iguais, porque no final, todos amamos esses conteúdos antigos e novos. Sobre os títulos podemos dizer apenas: つづく [“continua”, em japonês, é o termo que aparece ao final de muitos episódios de animês e tokusatsu no Japão – algumas séries, principalmente tokusatsu, mantiveram o termo nas edições brasileiras].

 

Ao contrário do kpop, que se expande cada vez mais, os dramas coreanos tiveram maior dificuldade em sair do nicho no passado. O então maior streaming de k-drama, o DramaFever, foi extinto em 2018. Acha que ainda há espaço para as novelas coreanas conquistarem o público brasileiro?

Thiago: Temos espaço e vamos além. Esse espaço não será só para as novelas coreanas. Estamos estudando J-Drama e C-Drama também, que são produções muito bem feitas, com investimentos dignos de séries hollywoodianas. Vamos estudar os horários e tentar encontrar o público certo. A Loading é um organismo vivo, que vai tentar, errar, melhorar, mas que jamais terá medo de arriscar e criar algo novo. A inovação está em nosso DNA.

 

Pode compartilhar alguns nomes do casting do Loading? 

Thiago: Infelizmente não podemos abrir essa informação ainda. Faz parte da nossa estratégia de lançamento. Mas muito em breve nossa invasão irá começar.

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