O protagonista de EX-ARM em CG e seu pai em 2D.

Resenha | EX-ARM: Quando o trash vira arte – 1º episódio

EX-ARM é tão ruim que não é possível ser sem querer.

Há algumas semanas, quando saiu o primeiro trailer de EX-ARM, um animê do selo Crunchyroll Originals, muita gente se perguntou: “O que foi isso que meus olhos acabaram de ver?”. A aparente falta de qualquer noção básica de cinematografia, aliada ao péssimo CG, realmente impressionam. Vejam por vocês:

A reação foi tão negativa que, ao postar o segundo trailer, a empresa resolveu ocultar os likes e dislikes. Existem séries que, de tão ruins, são capazes de entreter. É o que comumente chamamos de “virar”, porque é tão ruim que vira bom. É o que acontece, por exemplo, com o filme Babá Infernal, da Netflix… e também com EX-ARM. Obviamente, a promessa do pior animê da década – quiçá do século – não poderia passar batida.

Dando uma breve contextualização, a série adapta o mangá de HiRock e Shinya Komi, um remake de EX-VITA. A obra estreou na Grand Jump em fevereiro de 2015 e foi movida para a Shonen Jump+ em 2017, sendo finalizada dois anos depois, com 14 volumes compilados. Uma sequência, EX-ARM EXA, é seriada desde agosto de 2019 na Grand Jump Mucha.

Quanto ao episódio, devo dizer que comparado ao trailer é um pouco decepcionante: ele é bem menos ruim que o esperado. É como se o trailer, ao invés de destacar bons momentos, mostrasse apenas os piores. Isso, claro, não significa que seja bom. Ainda é péssimo.

A trama começa em 2014, quando o protagonista, Akira Natsume, é apenas um jovem qualquer, que acaba sendo atropelado por um caminhão (sim, super inovador). Vamos para o futuro, em 2030, quando uma policial e uma andróide estão lutando com uns “caras do crimes”.

Elas aparentemente pegaram deles uma EX-ARM, algum tipo de tecnologia avançada usada pelos criminosos. Acontece que essa EX-ARM em específico é o cérebro do nosso protagonista. Transformado em uma arma sem saber, ele aparentemente passou os últimos anos adormecido.

Imagem: Protagonista de 'EX-ARM' e a legenda "Onde estou? Não vejo nada".
Sorte a sua. | Reprodução: Crunchyroll.

Enfim, o episódio foca em conhecermos essa nova realidade e naquilo que o protagonista é capaz de fazer em sua nova forma. Como uma “tecnologia”, ele consegue invadir os sistemas do navio onde estão e ajudar as policiais. Ao final, nós descobrimos que ele foi o responsável por alguma grande tragédia ocorrida em torno de 2020, cujas informações devem ser reveladas mais a frente.

A premissa é até razoável e poderia render uma história interessante. A questão é que, perto da péssima qualidade de animação e de narrar uma história, ela é completamente irrelevante. EX-ARM é um amontoado de cenas vazias em CG.

Desde as expressões “de paisagem” (e super engraçadas) dos bonequinhos até às cenas de ação lentas e, bem, sem ação nenhuma, há muito espaço para o humor involuntário. Aliás, o pacing é péssimo, tudo anda muito devagar – talvez uma impressão amplificada pela animação horrível e “quebrada”. A série deve ficar ao ponto se rodada em velocidade 1,25 ou 1,5.

As policiais de EX-ARM e a legenda "se morrermos, de nada vai adiantar".
Reprodução: Crunchyroll.

A trilha sonora, se existe, não é perceptível – não cheira, nem fede. A produção também tem uma escolha curiosa de mostrar os primeiros eventos com um protagonista CG e personagens em 2D. Há uma cena com 4 personagens em que 3 são CG e um não é. É um tanto incômodo, mas deve ter sido para economizar (mais): os personagens 2D provavelmente não aparecerão mais na trama, então pouparam a equipe de fazer seus modelos CG.

Dá um pouco de pena pensar nos fãs do mangá, provavelmente ansiosos quando a adaptação foi anunciada, vendo uma de suas séries queridas virar um meme. Mas, tudo é simplesmente tão ruim que não é possível ser um acidente.

Tudo ali parece fora de lugar, talvez um misto de direção novata com falta de orçamento – e olha que animês já tendem a escolher o CG para baratear custos. Com o revolucionário conceito de “animação CG apresentada em slides”, EX-ARM promete revolucionar a indústria, desconstruindo tudo que achávamos saber até o momento… Mas não da forma mais elogiosa.

Considerando que trailers e episódios iniciais tendem a ter qualidade mais constante que o resto (justamente para causar uma boa impressão inicial), eu fico ansiosa ao que nos aguarda lá para o episódio 4. A série não promete ser boa, muito pelo contrário – mas, ao mesmo tempo, ela promete realmente desafiar o sci-fi.

Ficamos no aguardo dos próximos capítulos desta obra magnífica, hello hello.


EX-ARM pode ser acompanhado simultaneamente com o Japão pela Crunchyroll. A empresa fornece ao JBox um acesso à plataforma.


O texto presente nessa resenha é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.

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