Aranha de 'So I'm a Spider So What?', protagonistas de 'Mushoku Tensei' e 'Redo of Healer'.

‘So, I’m a Spider, so What?’, ‘Mushoku Tensei’, ‘Redo of Healer’ e mais impressões da temporada de inverno 2021

Comentários sobre os primeiros episódios de alguns dos principais animês da temporada de inverno de 2021.

E começou a temporada de inverno de 2021. Nela, mais uma porção de animês têm suas estreias. Há produções para todos os gostos: shonens de ação, múltiplos isekais, dramas slice of life, comédias românticas, garotas mágicas, robôs gigantes. É sentar, escolher e aproveitar pelos próximos meses, até que a mesma termine, uma nova comece e tudo se repita.

Aproveitando a safra, este que vos escreve deu uma garimpada em novos títulos a fim de montar uma lista com alguns dos principais nela que valem uma olhada – por bons ou por maus motivos. Ela é dividida em três partes, com nível de interesse decrescente. Foram selecionadas apenas produções animadas inéditas.

Continuações como as de Dr. Stone, Re:Zero, Laid-Back Camp, Shadowverse e Jujutsu Kaisen já falam por si só e não necessitam de novas introduções. As opiniões levam em conta os primeiros dois episódios disponíveis de cada desenho. Por fim, todas as séries estão disponíveis oficialmente para o público brasileiro em diferentes plataformas de streaming.

Sem mais delongas…

Assista o quanto antes!

Animês com o começo muito bom, que já apresentaram todos os indícios de que servirão um bom entretenimento daqui pra frente.

SO I’M A SPIDER, SO WHAT?

(Shin Itagaki, estúdio Millepensee, 24 episódios previstos)

Os dois títulos que parecem mais interessantes desse inverno japonês são isekais. Cada um utilizando essa fórmula à sua maneira. No caso de So I’m a Spider, o roteiro dá uma invertida no conceito base de “alguém fracassado em sua vida normal que renasce como um herói num mundo onde suas habilidades lhe tornam grande” ao reencarnar a protagonista no corpo de uma… aranha!

Até então, tá tudo muito legal de assistir, com um bom uso de cgi em algumas cenas (principalmente nas de batalha), uma porção de gags visuais gamers bacanas e muitas possibilidades para entregar resoluções criativas dentro de um padrão de roteiro já tão repetido.

Disponível na Crunchyroll.


MUSHOKU TENSEI: JOBLESS REINCARNATION

(Manabu Okamoto, Studio Bind, 11 episódios previstos)

Já Mushoku Tensei é um isekai à “moda antiga”. Na verdade, o título, lá em 2012, quando era uma novel seriada online, foi, junto com o animê de Sword Art Onine, um dos propulsores do isekai como um gênero, angariando várias outras adaptações, em light novels, mangás e um audiodrama. Agora, enfim, ele ganha sua encarnação como uma animação.

Na história, que foi reimaginada em tantas outras séries, um rapaz desempregado, que sofria bullying no colégio e não conseguia interagir saudavelmente com outras pessoas, é atropelado quando tenta salvar um grupo de adolescentes de serem pegos por um caminhão desgovernado. Então, ele renasce como um bebê num outro mundo, medieval, onde há magia e criaturas fantásticas.

Em dois episódios, o roteiro e a direção já conseguiram dar várias camadas aos personagens principais, nos ambientar naquele mundo, impressionar com um desing de produção radiante e despertar a curiosidade para o que mais vira em diante. Se continuar nesse nível, tem chance de ser o maior desse ano.

Disponível na Funimation.


SK8 THE INFINITY

(Hiroko Utsumi, estúdio Bones, 12 episódios previstos)

A vida de um grupo de corredores de skate contada pela diretora de Banana Fish e com roteiro de um dos criadores de Code Geass. Já no primeiro episódio, somos encantados com cenas de ação sufocantes e um sem número de momentos onde os personagens mostram as minúcias de suas personalidades.

A história aborda o estudante de ensino médio Reki, um amante de skate que acaba se metendo em uma corrida perigosa, chamada “S”, junto com Ranga, um praticante de snowboard nipocanadense que nunca andou de skate na vida. É como assistir um videogame animado, com toda sua gama de personagens berrantes e únicos em tela disputando a atenção. Por mim, tudo ótimo!

Disponível na Funimation.


Assista, mas sem exigir tanto…

Animês que parecem render histórias bacanas, mas não são os mais implacáveis, originais ou impressionantes em seus argumentos. Ideais para acompanhar de modo descontraído, sem esperar muito mais do que já foi apresentado.

HEAVEN’S DESIGN TEAM

(Sōichi Masui, Asahi Production, 12 episódios previstos)

Série de humor que tira sarro do mundo de start-ups “jovens” ao colocar a criação de animais e outras coisas do planeta Terra como um serviço terceirizado, em deus contrata uma equipe de designers para fazer esse trabalho por ele.

A ideia é muito bacana, os personagens sendo propositalmente caricatos para brincar com os estereótipos desse nicho criativo funciona muito, os enredos de elaborações dos animais criados são bem espertos. Só falta mesmo as piadas terem graça.

Disponível na Crunchyroll.


HORIMIYA

(Masashi Ishihama, estúdio CloverWorks, 13 episódios previstos)

Aqui, acompanhamos o relacionamento de um casal de estudantes que, fora do colégio, na estética e no comportamento, são bem diferentes do que demonstram em ambiente escolar. Ela, a bad girl popular, é uma dona de casa despreocupada com a aparência, que passa a maior parte do tempo cuidando de seu irmão mais novo. Ele, o nerd esquisitão que cobre o rosto com o cabelo e o óculos, é um cara cool, tatuado, com vários piercings e que atrai a atenção dos outros ao redor por sua aparência descolada.

Horimiya é divertido, compilando várias esquetes agradáveis por episódio, que dão uma sensação de calma pela leveza e descontração com que os estereótipos são desmontados em tela pouco a pouco. Não deve mudar vidas, mas também não tem essa obrigação.

Disponível na Funimation.


Se for assistir, não diga que não te avisei…

Animês que, embora tenham temáticas interessantes, já apresentam uma porção de problemas (que tendem a piorar) logo de cara. Dá para assistir se amarrando àquela curiosidade mórbida semelhante a quando passamos por um acidente na estrada.

WAVE!! LET’S GO SURFING!!

(Takaharu Ozaki, estúdio Asahi Production, 12 episódios previstos)

A premissa é muito boa e me lembra um dos meus filmes prediletos, Big Wednesday, de 1978, dirigido pelo John Milius. Temos uma turma de garotos que compartilham a paixão pelo surf, mas que podem acabar afastados quando fizerem suas devidas transições para a vida adulta.

Tudo com uma pitada de erotismo yaoi nas entrelinhas, que é implícita logo no início, quando o protagonista decide se tornar surfista ao, talvez, se apaixonar por um rapaz recém-chegado na cidade.

O problema é que a animação é muito ruim, nada fluida, deixando todos com expressões esquisitas e praticamente não colando com os cenários atrás. Em especial, todas as cenas com eles surfando, que deveriam ser o ponto alto dos episódios, são terríveis e me tiram por completo da experiência. Se quiser arriscar, vá com essa precariedade técnica em mente.

Disponível na Crunchyroll.


KAIFUKU JUTSUSHI NO YARINAOSHI (REDO OF HEALER) [+18]

(Takuya Asaoka, estúdio Glovision, 12 episódios previstos)

O animê polêmico da temporada, que provavelmente atrairá bastante atenção por suas controvérsias, dividindo os comentários entre pessoas que o detestarão, que acharão que uma história assim (pelo ponto de vista do vilão) não deve ser contada, e entre os que o amarão, justamente pelas partes mais pesadas – ou talvez por não enxergarem o protagonista como vilão, sim como herói. Mas aí, já não será um problema da série, sim daqueles que a assistiram sem entender nada.

Resumidamente, Redo of Healer conta uma história de vingança dum cara com poderes de cura num mundo medieval fantasioso (e gamer, de certa forma). Ele é recrutado por uma princesa, que o escraviza, o vicia em drogas, coloca seus capangas para espancá-lo e abusar sexualmente por meses a fio, apenas para que ela use seus poderes de cura.

Então, o rapaz arma um plano, “zerando” aquele mundo para que ele consiga pagar na mesma moeda o que fizeram com ele em uma nova encarnação (onde essa sequência de abusos é repetida).

O interessante aqui, que o diferencia de outros animês do estilo “dark fantasy” nos últimos anos, também donos de polêmicas, como Goblin Slayer e The Rising of the Shield Hero, é que ele, de fato, vai no “dark” dessa equação, não poupando nada para ninguém.

Tem cenas de tortura, violência extrema de todos os lados, homem estuprando homem, homem estuprando mulher, mulher estuprando homem. Tudo bastante gráfico em imagem e som (mesmo a versão com cortes é bem pesada).

Mas, ó, é meio que só isso aí mesmo. Depois que o segundo episódio termina, não parece ter muito mais o que explorar.

Me pareceu só a controvérsia pela controvérsia, sem muita profundidade. Talvez como um filme, onde o começo, o meio e o fim estivessem numa quantidade limitada de rodagem, funcionasse legal. Como um seriado, fica maçante bem rápido.

Disponível no HIDIVE.


EX-ARM

(Yoshikatsu Kimura, Visual Flight, 12 episódios previstos)

trailer absolutamente tenebroso acima não faz jus ao resultado final: EX-ARM é ainda pior do que parece. É para ser uma história sci-fi futurista sobre um moleque que tem o cérebro preso num robô e acorda décadas depois de sofrer um acidente quase fatal.

Mas, em tela, o que temos é um bando de bonecos 3D pessimamente moldados interagindo com outros em 2D que parecem animados por amadores pagos com uma coxinha e um refresco no fim do mês. O Kemono Friends da temporada.

Contudo, os colegas Laura, aqui do site, e Fábio, lá no Omelete, acham que é tão ruim, mas tão ruim, que faz a volta e se torna camp. Talvez eles tenham razão. Vai ter coragem de arriscar?

Disponível na Crunchyroll.


O texto presente nessa resenha é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.

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