Imagem: Capas de 'Sangatsu', 'Bloom into You' e 'Given'. Bordas indicando ser um artigo especial.

Oito autoras de mangás e novels para conhecer em 8 de Março | Artigo

Conheça um pouco sobre algumas das mulheres por trás de interessantes mangás e novels contemporâneos.

8 de Março é o Dia Internacional da Mulher e, de um tempo pra cá, todos os anos surge uma dúvida: o que fazer no Dia da Mulher? Eu dou uma flor? Parabéns? Não faço nenhuma dessas coisas? Bem, vamos pensar com calma, mas provavelmente não há nada para fazer em 8 de Março que não devesse ser feito todos os dias.

Todos sabemos que ao redor do mundo temos mulheres trabalhando, estudando e produzindo em diversas áreas, Matemática, Tecnologia, História, Literatura etc. Os ramos de mangás e novels, obviamente, não é diferente e o mercado conta com nomes fortes.

Provavelmente, você já ouviu falar de autoras como Naoko Takeuchi, cujo Sailor Moon (1991-97) teve um grande impacto dentro e fora do Japão; o quarteto CLAMP responsável por Cardcaptor Sakura (1996-2000), Chobits (2001-02), xxxHOLiC (2003-11) e outros mangás de sucesso; ou, Natsuki Takaya e seu Fruits Basket (1998-2006).

Essas são só algumas das autoras importantes de mangá shoujo dos anos 90 e posteriores, antes houveram ainda outros nomes como Keiko Takemiya, apontada como uma das pioneiras do BL (boys love) com Sanrumu Nite (1970), e Moto Haigo, outra pioneira dos bl com sua obra Toma no Shinzou (1974-75), consideradas parte do 24-nen gumi (as moças de 24) composto por mulheres nascidas por volta do ano 24 do Período Showa (1949). E não é preciso mencionar que temos mulheres escrevendo em outras demografias além do shoujo, afinal, Fullmetal Alchemist (2011-10) de Hiromu Arakawa dispensa apresentações, certo?

E é por esse motivo que hoje, em ocasião do 8 de Março, vamos falar de oito mulheres que vêm publicando obras interessantes na contemporaneidade. Vem comigo conhecer esses oito nomes.


Nio Nakatani

Imagem: Personagens de 'YagaKimi'.
Divulgação: ASCII Media Works.

A autora de um dos mangás yuri mais famosos e mais interessantes da atualidade, Yagate Kimi ni Naru ou Bloom Into You (2015-19), que ganhou uma adaptação para animê em 2018, disponível no HIDIVE, e cuja publicação no Brasil foi anunciada recentemente pela editora Panini.

No ano de 2018, em uma entrevista conjunta com o autor das light novels de SAO, Reki Kawahara, Nakatani foi inquerida sobre haver um motivo especial para a presença de personagens masculinos em seu mangá, ao que ela respondeu: “quando falamos de garotas que se apaixonam por garotas, existem vários padrões. [Em YagaKimi] existem personagens que acabaram por se apaixonar por uma garota e personagens que se apaixonam exclusivamente por garotas desde o início.” Para demarcar essa diferença, a autora decidiu que a história se passaria numa escola mista e que haveriam personagens masculinos próximos às protagonistas.

Em 2014, a autora ganhou o ouro no 21º Dengeki Comics Grand Prix por sua oneshot original Sayonara Oruta ou Goodbye, Alter. Dentre suas outras publicações, pode-se citar a contribuição para a antologia yuri Éclair de 2016.


Natsuki Kizu 

Imagem: Personagens de 'Given'.
Divulgação: Shinshokan.

 Autora do bl Given em publicação desde 2013, obra que conta com uma adaptação para anime (2019) e um filme (2020), ambos disponíveis na Crunchyroll. No Brasil, o mangá vem sendo publicado pela editora NewPOP, que trará também Links, outra obra da autora.

Given foi a primeira animação bl a ser capa da revista PASH!, estreando com o slogam “Agora é hora do BL!”. Ao falar sobre o mangá, a autora diz que queria criar uma obra que fosse além do romance, embora, segundo ela, a principal característica do bl seja romance. Dentre as obras que inspiraram Given, Kizu cita Banana Fish (1985-94) de Akimi Yoshida, mangá que seu pai gostava.


Q Hayashida

Imagem: Personagem de 'Dorohedoro'.
Divulgação: Shogakukan.

Autora de Dorohedoro (2000-2018), obra adaptada em anime em 2020 disponível na plataforma Netflix (um das melhores do ano, segundo uma lista do Igor).

Hayashida iniciou sua carreira no mundo dos mangás com Maken X Another (1999), uma adaptação do jogo eletrônico Maken X publicado na Magazine Z. Nessa época ela começou a desenhar seu próprio mangá, Doredoho, seu trabalho mais longo. A obra é definida como portadora de um estilo ousado e por ser uma criação única de universos alternativos.


Chimaki Kuori

Imagem: Shoko e outras Saintias.
Divulgação: Akita Shoten.

A mangaká é responsável desde 2013 pelo mangá spin-off da franquia de Cavaleiros do Zodíaco, Santhia Shô, no qual no lugar dos cavaleiros se acompanha a história de uma classe de guerreiras, as Saintias, que não usam máscaras (ao contrário das amazonas).

Kuori também é conhecida por dois mangás de Gundam Seed, 0 SEED DESTINY THE EDGE e SEED DESTINY THE EDGE Desire. Ela já produziu também obras mais autorais, em 2012, publicou o mangá Kimi no Kaeru Bashou (Seu Lar Para Voltar, em tradução livre), um mangá shoujo compilando 6 curtas histórias.


Chika Umino

Imagem: Personagens de 'Sangatsu no Lion'.
Divulgação: Hakusensha.

Chika Umino é o pseudônimo de uma artista anônima de mangá. Ela é conhecida principalmente por Honey & Clover (2000-06), pelo qual ganhou o prêmio Kodansha Manga Award em 2003.

Seu trabalho mais recente é Sangatsu no Lion ou March Comes In like a Lion (2007- presente), obra que ganhou uma adaptação em anime com duas temporadas de 24 episódios, disponível nas plataformas Netflix e Crunchyroll. Em Sangatsu, o protagonista Kiriyama Rei aprende a superar seus traumas e ganha um pouco mais de cor na vida ao conhecer uma família de três irmãs.

Umino também ganhou o Kodansha Manga Award em 2011, o Manga Taisho em 2011 e o Tezuka Osamu Cultural Prize – Grande Prize em 2014.


Tsunami Umino

Imagem: Personagens de 'Nigeru wa Haji da ga Yaku ni Tatsu'.
Divulgação: Kodansha.

Sua obra mais famosa é Nigeru wa Haji da ga Yaku ni Tatsu (Fugir é vergonhoso, mas funciona, em tradução livre) ou The Full-Time Wife Escapist, publicada de 2012 a 2016. O mangá ganhou 30º Kodansha Manga Award e foi adaptado para um drama de televisão em 2016. Inédito no Brasil, o quadrinho foi publicado em inglês.

Em NijgeHaji, a protagonista Mikuri começa um casamento falso, no qual ela é uma dona de casa contratada. Através da vivência de Mikuri como esposa contratada e seu contato com sua amiga divorciada e sua tia bem-sucedida, Umino aborda temas como o papel da mulher na sociedade japonesa enquanto esposa, dona de casa e mãe, divórcio e o cotidiano de mulheres de negócios que não se casaram.


Mizuho Kusanagi

Imagem: Yona de 'Yona of the Dawn'.
Divulgação: Hakusensha.

Autora do mangá shoujo Akatsuki no Yona (O Alvorecer de Yona, em tradução livre), ou Yona of the Dawn, em publicação desde 2010. A obra ilustra a jornada e o destino da protagonista Yona, a princesa de cabelos vermelhos do fictício Reino de Kouka. Yona ganhou uma adaptação em animê (2014) e duas adaptações para teatro (2016 e 2018).

Em 2002, a autora venceu o 27º Prêmio Athena Newcomer com a obra Okami Kyoudai ga Yuku?!. Sua primeira série de mangá foi Yoiko no Kokoro e, que venceu o 28º Prêmio Athena Newcomer de Debut Excellence.  Tanto o mangá quanto animê são inéditos no Brasil, mas ganharam versão em inglês. A animação está disponível na Crunchyroll e na Funimation.


Inori

Imagem: Personagens de 'Me Apaixonei pela Vilã'.
Divulgação: GL Bunko/Ainaka.

Assinando apenas como Inori, ou Inori Narou no Twitter, a autora é responsável pela ligh novel Watashi no Oshi wa Akuyaku Reijou (ou Me Apaixonei Pela Vilã), um isekai no qual a protagonista se apaixona pela vilã do mundo do jogo para qual foi transportada. Inori lançou a série no site Sousetsuka ni Narou em janeiro de 2018 e atualmente a série é publicada no Japão pela GL Bunko. Inori é responsável pelo roteiro e as ilustrações ficam a cargo de Hanagata.

Inori é conhecida por ser bastante ativa em seu Twitter, interagindo com fãs e editoras de outros países a fim de divulgar sua light novel. Em uma entrevista em 2020, ela disse que começou a escrever sua história porque pensou que podia representar suas histórias favoritas de yuri, utilizando a ideia de reencarnação e vilãs, ambos gêneros muito populares.

A autora escolheu fazer de sua protagonista uma mulher que trabalha em um escritório, pois muitos dos leitores do Shousetsuka ni Narou são mulheres com essa profissão, portanto, ela escolheu uma personagem que representa essas mulheres cansadas de seus empregos.


E assim fechamos nossa lista de oito autoras, sete de mangá e uma de light novel, que merecem ao menos um minutinho da sua atenção. Se você conhece algum outro nome do mercado que devíamos ler mais, ou continuar lendo por mais um tempo, conte para a gente nos comentários!


O texto presente neste artigo é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.

Publicidade
close