Resenha: Kekkaishi Volumes 1 a 11 – Editora Panini

Um shonen surpreendente.

Kekkaishi é o mangá de estreia de Yellow Tanabe e foi publicado nas páginas da Shounen Sunday sendo concluído com 35 volumes no total. O título ganhou o prêmio Shogakukan de melhor shounen em 2007 e teve também um anime que cobriu apenas 13 edições. Um fato interessante sobre a autora é que ela foi assistente de Makoto Raiku (Zatch Bell!) e Mitsuru Adachi.

Kekkaishi é um shounen clássico, sem nada de diferente dos outros do gênero publicados hoje em dia, talvez exceto pelo carisma de seus personagens. É um mangá muito humano onde é fácil se identificar e até se irritar com a obra por causa disso (demora muito para que a ação de verdade comece e isso frustra muita gente).

Yoshimori Sumimura é o 22º sucessor do clã Sumimura, isso significa que ele é um kekkaishi (mestre de barreira), ou seja, ele possui poderes paranormais para criar e explodir barreiras mágicas e assim destruir ayakashis e youkais. Consequentemente ele consegue ver espíritos e até mesmo usar shikigamis (servos “mágicos” criados escrevendo encantamentos em um papel) para realizar tarefas simples.

Mas é lógico que a família Sumimura possui uma missão (já dizia o Tio Ben: “grandes poderes vem com grandes responsabilidades): eles devem proteger Karasumori, uma região de grande poder sobrenatural, da invasão das ayakashis e youkais que infestam a região em busca de poder. Quando um youkai fica durante um tempo no solo de Karasumori suas feridas se regeneram e se passar mais tempo eles ganham força e podem até mesmo evoluir em criaturas mais perigosas.

Segundo a lenda a muitos séculos atrás havia uma família de lordes de grandes poderes místicos chamada Karasumori nessa região. Eles eram constantemente atacados pelos youkais por causa de seus poderes místicos então um dia um famoso kekkaishi exterminador de youkais foi chamado, era Tokimori Hazama e ele protegeu o castelo de Karasumori e seus habitantes até o dia em que caiu doente. Ele ficou de cama por três dias e quando pode se levantar no quarto dia soube que o castelo foi tomado pelas ayakashis e todos os seus habitantes exterminados. Ainda assim o poder dos Karasumori continuou no local e como Hazama não deixou descendentes, seus discípulos herdaram sua função de proteger o local. Só que a família Sumimura não é a única que protege o local, há também a família Yukimura que são seus vizinhos e maiores rivais.

Yoshimori não quer ser um kekkaishi, na verdade ele sonha mesmo em se tornar um patissier (confeiteiro) e adora criar castelos feitos de bolo, mas o seu avô é contra já que ele é o próximo sucessor natural do legado da família. Ele possui um houin (espécie de sinal de nascença em forma de um quadrado que no mangá marca o kekkaishi sucessor) mas é relaxado e apesar de possuir um grande poder não possui força de vontade de aprender a usá-lo corretamente. Bem diferente de Tokine Yukimura (engraçado que somando Tokine + Yoshimori temos Tokimori, pelo visto não é só no Brasil que os pais criam nomes a partir de outro), a herdeira da família Yukimura, que é muito habilidosa e consciente de sua missão – mas em compensação não tem muito poder.

Nesse ambiente de briga de vizinhos temos dois kekkaishis que deveriam ser rivais, mas que apesar de tudo são amigos de infância e cooperam em prol da proteção de Karasumori. Durante o primeiro capítulo Yoshimori, na época com 9 anos, e Tokine com 11, enfrentam uma ayakashi de nível inferior, mas devido ao descuido de Yoshimori, Tokine recebe um grave ferimento, então ele jura para si mesmo que vai treinar duro para que ninguém mais seja ferido por uma ayakashi por sua falta de interesse e dedicação.

Preciso comentar que fico feliz de estar escrevendo essa resenha hoje, quando o mangá já tem 11 volumes lançados. Confesso que assim que comecei a colecionar essa série eu pensava “se eu tiver que dropar uma coleção vai ser Kekkaishi”. Mas o mangá cresce aos poucos, no começo as aventuras são chatinhas, os youkais que tentam invadir Karasumori nos primeiros volumes são fracos e aleatórios e para um shounen de batalha não é legal, afinal o que se busca ao ler um título porradeiro é muita ação e adrenalina, certo?

Mas o diferencial aqui é que Kekkaishi tem uma base sólida, somos apresentados aos personagens, aos seus poderes, ao mundo secreto dos paranormais do Japão nos primeiros volumes apenas para ver essas coisas desmoronando. O Alexandre Lancaster do Maximum Cosmo uma vez me disse em um comentário no blog dele que os mangás da Shounen Sunday têm essa característica de entrarem na sua casa e virarem como membros da sua família, que os personagens ali são como as pessoas que a gente conhece de verdade. Ele não poderia estar mais certo.

Quando a Yellow Tanabe mata um personagem importante no volume 10 todo mundo que eu conheço e lê Kekkaishi ficou chocado com aquilo, todo mundo se perguntava: “Mas fulano morreu mesmo? É sério isso?”. As pessoas se sentiram como se um conhecido seu tivesse morrido, pois o mangá cria esse laço com o leitor sem que ele perceba. E isso me fez admirar mais a série, o departamento editorial e a autora tiveram coragem de matar um personagem importante e que poderia muito bem ser aproveitado até o final da série (e não, isso não é uma indireta pro Tite Kubo, é uma direta mesmo! Que guerra é essa que nenhum “bonzinho” morre?).

Gostei da tradução do mangá, está clara, bem adaptada, sem nenhuma gíria horrorosa, mas ainda assim bastante coloquial. Algumas pessoas reclamam dos comandos que os kekkaishis usam estarem em japonês e em português (marcar alvo, hou; marcar o lugar, jouso; ativar, ketsu; kai, liberar ou metsu, destruir). Na minha opinião se deixassem de colocar o original em japonês reclamariam, mas eu e 99% dos brasileiros não sabe japonês, então o português é necessário também e se colocassem notas nas páginas deixaria o mangá emporcalhado, se pusessem algo tão usado no glossário atrapalharia a leitura, então eu não vejo problemas com a repetição dos comandos.

A edição está muito boa, não vi nenhum erro nos volumes que eu li, mas o que eu mais curti foi as capas brasileiras. A Panini criou um logo muito bacana para a série que muda de cor a cada volume. Nem sempre a editora certa (Dorothea…), mas na maioria das vezes a equipe da Mythos cria capas muito bonitas.

Pra finalizar recomendo Kekkaishi para todos que estiverem procurando um bom shounen de luta e não tiverem medo de pegar uma série de 35 volumes. O mangá pode começar em um ritmo lento, mas evolui de verdade, cresce com o leitor (lembrando que no Japão a série era semanal, então saía uns quatro volumes por ano) e fica mais interessante a cada nova edição.

Título: Kekkaishi – Mestres de barreiras
Autoria: Yellow Tanabe
Formato: 13,7 x 20, 200 páginas
Duração: 35 volumes
Periodicidade: Mensal
Preço: R$9,90
Demográfico: Shounen
Gênero: Aventura, Fantasia, Luta

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