The God of High School: o torneio é meu e eu mudo as regras quando quiser! | Episódios 5 e 6

Resumo comentado dos episódios 5 e 6 de “The God of High School”. Aviso de spoilers sobre eventos ocorridos neles.

O animê de The God of High School continua uma bobagem cafona, confusa e exagerada, mas bastante divertida de assistir. Tal como apresentado nos 4 primeiros episódios da série (leia aqui), a trama segue comprimindo o máximo de informações na menor quantidade possível de tempo em tela, tudo com um ar “legalzudo” de acompanhar, como se toda a produção narrativa não passasse de uma grande desculpa para explorar ótimas cenas de luta. Por mim, tudo bem.


No quinto episódio, emoção, socos, chutes e… amizade!

O capítulo anterior havia fechado com uma “tensa” (entre aspas, porque a falta de construção narrativa não despertou tensão real alguma) cena onde o caladão Daewi, na luta de semifinal das eliminatórias do torneio em Seul, dá uma surra na Mira, que ele, anteriormente, acompanhado do Jin, havia salvado de um casamento por interesse maluco envolvendo um cara bem mais velho, que descobriu-se fazer parte de uma organização secreta malvadona que quer fazer coisas bizarras envolvendo o God of High School. Por eles agora serem supostamente melhores amigos em todos os tempos, ainda que se conheçam há menos de uma semana, a situação ficou tensa, com as emoções abaladas na parte do Jin.

Mas só da parte dele mesmo, que levou tudo muito a sério. A própria Mira não parece ter se importado tanto em perder de forma brutal para o Daewi e, no dia seguinte, já estava admitindo isso para o Jin no hospital. Vale lembrar que todos os participantes do torneio, ainda que sofram lesões fatais (como um pescoço quebrado), não ficam com sequelas depois disso, pois são curados por nanorrobôs previamente ingeridos. É aquilo de o animê, como um todo, ser uma grande alegoria a jogos de videogame de luta, lembram?

De qualquer forma, a mágoa do Jin não duraria nem até o fim desse episódio (spoiler?), então sigamos com o bonde.

Começa a grane final entre Jin e Daewi, com o segundo ainda em modo caladão sombrio e sanguinário. Nisso, é revelado o motivo de seu recente comportamento questionável: seu único amigo de escola está em estado terminal causado por um câncer. Para ajudá-lo, Daewi consegue adiantar seu eventual desejo/prêmio de vencedor da competição, utilizando o aparato médico de nanorrobôs para tentar salvar a vida dele. A condição estabelecida pelo organizador do evento, o Park Mujin, com a cicatriz na testa, é que ele usasse o máximo de violência fria possível em seus combates seguintes. Daí, o resultado contra a Mira. Daí, a postura na luta atual com o Jin.

Rola um flashback (bem colocado, na verdade, fiquei até impressionado) mostrando a relação deles no colégio. Daewi é um grande encrenqueiro em seu bairro, arrumando briga com gangues de várias outras escolas. Embora ele quase sempre estivesse acompanhado de outros valentões, aparentemente, ninguém ali era amigo de verdade. Até que, em dado dia, ele é encurralado sozinho por uma galera, sendo ajudado por um menino que sofria bullying em sua turma. Os dois conseguem enfrentar a dúzia de caras e se se tornam melhores amigos (que gostam de dar porrada um no outro de vez em quando) a partir daí. Tempos depois, o rapaz revela que está doente e Daewi, acompanhando sua piora no hospital, decide vencer o God of High School para salvá-lo.

Infelizmente, tudo dá errado quando o moleque, em meio ao tratamento com os nanorrobôs, não aguenta e morre. Ao saber disso (no meio da luta, literalmente), Daewi perde a vontade de batalhar, enfurecendo Mira, já 100% curada, que se sente ultrajada por ter perdido para ele só para, no dia seguinte, ele jogar a toalha por algo tão pequeno como a morte de seu melhor amigo.

Nessa, ela entrega uma carta do menino para Daewi, dizendo que ele morria feliz por ter tido um amigo que arriscaria a vida por ele e que o Daewi deveria continuar dando tudo de si no torneio. Tocante.

Daewi volta a ter aquele fogo no olhar, com o Jin enxergando isso e ficando feliz, perdoando ele (aqui, não fica muito explicado se a birra do Jin era por ele ter dado uma surra na Mira ou por não ser mais um “lutador honrado”, mas quem sou eu para esperar coerência nesse roteiro?) e, em seguida, lhe derrotando e vencendo a etapa de Seul da competição. A sequência final da briga é lindamente animada e vale o episódio meloso todo. Sério.

A plateia aplaude, os organizadores ficam felizes com o show, mas uma misteriosa figura de cabelos azulados pareceu entediada com o desfecho. Compreensível.

 

E no sexto episódio: mudança de planos, pois o trio de protagonistas tem que aparecer mais…

Pro segmento do torneio, agora em escala nacional para definir quem é o God of High School, o organizador do evento, Park Mujin, com a cicatriz na testa, decide dar uma de Silvio Santos e mudar as regras de última hora. Em vez de apenas os vencedores das respectivas seletivas ao redor da Coreia do Sul participarem na etapa nacional, o jogo agora será em trio. A notícia é dada publicamente pela equipe do torneio num impagável programa de fundo verde apresentado por duas mulheres fantasiadas de enfermeiras:

MTV?

Por consequência, Mira abocanha uma vaguinha na equipe ao lado dos finalistas Jin e Daewi, derrotando o outro semifinalista, que, fun fact, lutava usando um estilo brasileiro de Jiu-Jitsu. Ele apanhou bastante no processo.

Em paralelo, aquela organização malvada decide mover outras de suas peças para executar o secreto plano envolvendo o torneio e artefatos divinos. Eles vão atrás do avô de Jin, do apresentador das lutas na seletiva de Seul e mais alguns responsáveis pelo evento, com consequências diferentes em cada investida. Pouparei os leitores dos resultados para não estragar eventuais surpresas. Mesmo porquê, esses seriam os únicos pontos de entretenimento dos segmentos, cujos prováveis combates são omitidos em tela, já que há essa escolha narrativa no animê em não mostrar muitos dos pontos chaves, apenas mencioná-los depois que aconteceram. Ao menos três combates interessantes poderiam sair daí, mas a ideia é picotar tudo, então jamais saberemos.

O pior é que nem acontece muita coisa de verdade ao longo do sexto episódio. Rolam alguns diálogos explicando lore, algumas introduções curtas de novos participantes do torneio e de personagens de nível mais alto que auxiliarão na luta contra os vilões, mas não vai muito além disso. Eu cortaria a embromação para priorizar os embates mencionados, já que isso de “ação pela ação” parece ser a pegada central do desenho. Uma bola fora.

Remediando isso, fomos brindados com mais outras linhas de diálogo tenebrosas que, de tão cafonas, fazem a volta e se tornam cults. A melhor do episódio 6 foi a da ilustração acima, com Jin explicando para os amigos o porquê de querer vencer a competição: “É maneiro!”

O 5 também foi cheio delas. As duas mais hilárias:

“Eles não são meus amigos. Quando as coisas começam a dar errado, eles fogem. Eu também só me aproveito deles quando é conveniente. E ponto final.” – diz o Daewi para seu novo colega sobre seus colegas de gangue, após ser abandonado por eles, tendo que lutar com uma cambada de caras que podem matá-lo, que responde: “Você tem que confiar neles. Quanto mais se confia em alguém, mais esse alguém retribui a confiança. É sempre assim!” – mesmo tendo acabado de ajudar ele a sobreviver numa emboscada, justamente por Daewi ter sido abandonado.

“Quando o homem está no fundo do poço… é que ele mostra do que é realmente feito.” – explica Park Mujin, o organizador esquisitão da cicatriz na testa, para uma de suas funcionárias quando questionado sobre o porquê de ter contado para Daewi, no meio da luta, que seu melhor amigo havia acabado de morrer. Deu certo?

Torço para que, daqui pra frente, tenham mais bobageiras como o quinto episódio e menos chatices como o sexto. The God of High School é ótimo quando se assume ruim e foca em entreter o espectador com segmentos escapistas de ação acelerada. Quando tenta se levar a sério, é só entediantemente mal feito.


Tendo estreado aqui no Brasil no dia 6 de julho, The God of High School é o mais recente animê com o selo de original da Crunchyroll a ver a luz do dia. Sua história é uma adaptação de um manhwa, uma “mangá sul-coreano”, escrito e ilustrado por Yongje Park, e seriado digitalmente na plataforma Naver Webtoon desde 8 abril de 2011, totalizando 11 volumes encadernados publicados pela editora ImageFrame até então. Essa já é a segunda produção original da plataforma de streaming nesse ano baseada em alguma publicação da Coreia do Sul. Na temporada passada, sua grande aposta foi Tower of God, oriundo de outra webcomic do país.

Sinopse oficial: Jin Mori diz a todos que é o colegial mais forte que existe. Sua vida muda quando é convidado a participar do “God of High School”, um torneio que decidirá quem é o colegial mais forte de todos, e que garantirá ao vencedor a realização de qualquer desejo que ele tiver. Todos os participantes são poderosos guerreiros que lutarão com afinco para alcançar seus sonhos. Uma batalha caótica entre lutadores colegiais inacreditavelmente fortes está prestes a começar!

Os episódios estão oficialmente disponíveis aqui no Brasil através da Crunchyroll (assista aqui).

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