Digimon Adventure: o fim e o início das trevas | Episódios 17, 18 e 19

Recap comentado dos episódios 17, 18 e 19 de “Digimon Adventure:”, contendo alguns spoilers.

A impressão agora é que começou a andar. Nesse mais recente punhado de episódios de Digimon Adventure:, sem a necessidade da criação de situações individuais para que os digiescolhidos aprendam a dominar seus sentimentos e, por consequência, digievoluam seus companheiros, sobra bastante espaço para que tramas um pouco mais criativas, utilizando o potencial já alcançado pelos personagens dentro da narrativa, sejam exploradas.

Semanas atrás, os dois trios de crianças, antes separados para aumentarem suas chances de alcançar o local onde, supostamente, estariam os digimons sagrados, enfim se reuniram na falsa Tóquio criada por Eyesmon. E quando esse vilão foi derrotado, ao fim, digievoluiu para o assustador e perigoso Orochimon, que deu à molecada ainda mais trabalho, com todo o time precisando encontrar forças dentro de si para se livrar da enorme criatura cujos atos também afetavam digitalmente a verdadeira Tóquio. Mas as coisas seriam ainda mais difíceis, já que o monstrengo ofídio, nessa segunda morte, alcançaria ainda sua forma extrema, se revelando como Nidhoggmon, uma grande bomba relógio, cujo contador literalmente foi refletido nas telas de todos os devices da metrópole japonesa. A besta apocalíptica, absorvendo os dados do mundo físico para o digital, quando o cronometro chegasse ao zero dizimaria a cidade, junto de todos os moradores presos ali.

Houve um desnível de poderes. Nidhoggmon estaria acima de todos os outros ali, que, por si sós, só tinham alcançado a forma perfeita até então. Seria o fim dos digimons, dos digiescolhidos, de Tóquio e do animê? Não se pudermos contar com a ajuda dos anjos! Tal como na série original e no primeiro arco nesse ano, possivelmente sem saberem o que estavam fazendo, Hikari (Kari) e Takeru (TK) utilizaram as penas de seus anjos, que refletiam seus brasões da Luz e da Esperança, para interferirem a favor de seus irmãos mais velhos e permitir não só que Taichi (Tai) e Yamato (Matt) elevassem seus digimons à forma extrema, mas também os juntassem, trazendo de volta a figura do Omnimon. Nidhoggmon é destruído (dessa vez, pra valer), Tóquio está salva (por enquanto, ao menos), a Tóquio de mentira desaparece em dados e tudo parece ir bem ao final. Exceto por uma fenda que se abre no céu do digimundo, sugando Joe, Mimi, Sora, Koshiro (Izzy) e seus digimons rumo ao desconhecido.

Reprodução: Crunchyroll

A maneira como estabeleceram um paralelo entre digimundo e mundo real aqui, através da tecnologia, foi muito bem pensada. Gosto bastante da alegoria quase literal de os celulares esquentarem por processarem tantos dados. É ainda outra daquelas adaptações de Digimon Adventure: à realidade atual. Enquanto no fim dos anos 1990 a internet, o mundo virtual num todo, era algo mais misterioso, de difícil acesso, quase fantasioso, faz sentido que, duas décadas passadas, onde não há mais bem uma separação entre as personas reais e virtuais, que a trama se adapte e seja ainda mais evidente que as ações ocorridas no digimundo se reflitam com tanta violência do outro lado. Não são mais lugares afastados, sim simbióticos, que dependem de si e se alimentam juntos.

Nisso, Taichi e Yamato são abordados pela sombra de Devimon no deserto, enfim se colocando como uma peça central no jogo de poderes entre luz e trevas no digimundo, e um misterioso digimon nasce nas trevas, que imagino que tenha um papel de destaque nesse embate daqui em diante. A dupla descobre também que os colegas, na verdade, foram mandados de volta para o Japão e que, no caminho, perderam o paradeiro de Gomamon, Palmon, Piomon e Tentomon. Ainda no deserto, os dois se deparam com uma enorme estrutura ambulante fortificada, o Valvemon, que conta com a presença de Troopmons (que me parecem uma referência a Star Wars, tanto pela aparência, quanto pelo contexto de criaturas do deserto surgindo de uma máquina gigante, além das armas de raios lazer), sendo dominada pelo Minotarumon. Os soldados do Devimon parecem estar transportando uma carga relacionada aos digimons sagrados, de modo que Leomon aparece em cena com alguns outros membros da resistência, recrutando Taichi e Yamato para causa e bolando um plano para invadir a fortaleza móvel. Ao fim, Leomon e os digiescolhidos levam a melhor e descobrem que a carga tão valiosa, na verdade era…

Reprodução: Crunchyroll

Takeru, o irmãozinho de Yamato, que momentos antes estava em Tóquio observando a contagem regressiva do Nidhoggmon em seu celular fervente igual todos os outros. Minha cabeça explodiu. A de vocês explodiu também?

Acho que a coisa mais importante a ser comentada aqui é que Minotarumon, assim como o Orgemon mais para trás, sem serem dominados pelo miasma negro, estarem ativamente ajudando Devimon e se colocando a favor da invasão “viral” do lado das trevas mostra que há muito mais que dois lados nessas história toda. Que as trevas não são apenas uma “doença” que corrompe os digimons e os torna agressivos, mas que há espaço para a subjetividade e que outros que sequer foram escravizados por ela enxergam nessa investida de poder uma oportunidade, seja lá para quais fins. Antes de ser derrotado, Minotarumon diz que a resistência e os digiescolhidos não terão chance contra as trevas. A afiliação seria por medo? Conformidade? Traçando um paralelo com a série original, isso conversa, por exemplo, mais com a saga do Myotismon, que conquistava seguidores por sua própria lábia, do que com a do Devimon, que controlava os habitantes da Ilha Arquivo usando engrenagens negras.

Mais pro fim, é mostrado que Angemon está preso (simulando uma crucificação) pelas trevas e, na prévia do episódio seguinte, que ele e Takeru serão enfim inseridos na narrativa. E ao que o digiovo nas mãos do garoto deve indicar, rolará uma releitura daquele arco onde o anjo voltará ao início de sua linha evolutiva e, junto com o moleque, poderá ser usado como um “coringa” bem mais poderoso que todo o resto na história. Resta esperar até o fim de semana para descobrir. Como disse lá no primeiro parágrafo, a impressão é que Digimon Adventure: começou a andar. É torcer para que o caminho seja tão satisfatório quanto esses três últimos episódios.


Comentários dos episódios 1234 e 56 e 78 e 910, 11 e 12, 13 e 14 e 15 e 16.


Com transmissão simultânea ao Japão por aqui através da CrunchyrollDigimon Adventure: é um reboot do animê original de mesmo nome (mas sem os dois pontos), produzido pela Toei Animation, em 1999. Assista aqui.

Sinopse pela Crunchyroll:

É o ano de 2020. A Rede tornou-se algo indispensável para a vida dos humanos. Mas o que eles não sabem é que, por trás da Rede, existe um mundo de luz e trevas conhecido como o Mundo Digital, habitado pelos Digimons. Quando Taichi Yagami tenta salvar sua mãe e sua irmã, que estão a bordo de um trem desgovernado, ele entra na plataforma… e um estranho fenômeno o leva para o Mundo Digital. Ele e outros Digiescolhidos encontram seus parceiros Digimons e embarcam numa aventura em um mundo desconhecido!

O roteiro é assinado por Atsuhiro Tomioka, que já trabalhou em várias séries infantis como BuckyHamtaroSuper Onze Pokémon. No Japão, o animê substitui o horário de GeGeGe no Kitarou na FujiTV, série que se encerrou ao fim da última temporada de inverno japonesa e também foi exibida por aqui pela Crunchyroll.

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