Imagem: Pedaço de pôster de filme crossover de 'HUGtto! Precure', nos moldes de artigo do JBox.

Guia | O que é Precure? Conheça a maior franquia de garotas mágicas do Japão

Quer saber quando surgiu e por onde começar a ver ‘Pretty Cure’? Vem com a gente!

Sailor Moon, CardCaptor Sakura, Guerreiras Mágicas de Rayearth, Corrector Yui… quando falamos de garotas mágicas, essas provavelmente são algumas das séries que vêm à cabeça dos fãs brasileiros de animês. Muitos inclusive acreditam que Sailor Moon, com suas 5 temporadas, provavelmente foi a série de garotas mágicas mais longa que já existiu – mas eles estão enganados.

Por mais importante que Sailor Moon seja para o gênero, há uma outra série que, com suas 18 temporadas, é o verdadeiro animê de garotas mágicas (ou mahou shoujo) mais longo que existe: Pretty Cure!

Apesar do título ser muito famoso no Japão, ele não é tão conhecido fora das terras nipônicas. Claro, por ser tão longeva, Pretty Cure, ou Precure, abreviação adotada oficialmente pela franquia, possui uma sólida base de fãs, mas não chega a ser tão famosa como Sailor Moon ou Sakura mundialmente, talvez explicando sua baixa fama no Brasil.

Mas afinal, o que é Precure? Bom, é isso que você vai descobrir a seguir.

O começo da magia

Imagem: As garotas de 'Futari wa Precure'.
Divulgação: Toei.

Pretty Cure é uma franquia de animês de garotas mágicas criada pela Toei, mesma produtora do animê de Sailor Moon. Poucos anos depois do fim da série da marinheira da lua, e logo depois de encerrar os trabalhos com Ojamajo Doremi, a Toei buscava uma forma de continuar investindo no público atraído por essas duas obras – ou seja, jovens garotas que tinham certo apreço pelo gênero garotas mágicas.

Em uma parceria com a fabricantes de brinquedos Bandai, o estúdio lançou em 2004 Futari Wa Pretty Cure, a primeira temporada de Precure. O animê tinha forte influência dos Super Sentai e se focava em uma dupla de garotas que se transformavam em guerreiras mágicas para enfrentar monstros que aterrorizavam a cidade em que viviam.

Com o passar dos anos, novas temporadas da série surgiram e, assim como os Super Sentai, geralmente apresentando um novo grupo ou dupla de heroínas mágicas que enfrentavam monstros malignos, embora a 2ª temporada ainda tenha mantido o mesmo time de heroínas.

Ou seja, cada temporada é protagonizada por personagens diferentes e tem até mesmo temáticas diferentes: em uma série o tema são princesas, em outra são bruxas, em uma terceira o tema são as estrelas, contos de fadas e por aí vai, tal qual os super sentais que mudam de temas e heróis a cada temporada.

Todas as temporadas são únicas, com começo, meio e fim. Houve apenas duas exceções: a já citada primeira temporada, Futari Wa Pretty Cure, que ganhou uma segunda temporada chamada Futari Wa Pretty Cure Max Heart; e a quarta temporada, intitulada Yes! Precure 5 (2008), que foi sucedida por sua continuação, Yes! Precure 5 GoGo. Todas as outras temporadas não possuem continuação e suas histórias são finalizadas ao longo de 45 a 50 episódios.

Imagem: As Cures de 'Yes! Precure'
As heroínas de Yes! Precure 5 | Divulgação: Toei.

As heroínas de cada temporada também não se encontram uma com as outras em suas séries, mas acabam aparecendo em conjunto durante filmes especiais. Funciona assim: desde a sexta temporada do animê, cada série de Precure costuma ser acompanhada de dois filmes para o cinema todos os anos. Enquanto o segundo filme é uma história solo das protagonistas da temporada daquele ano, o primeiro filme lançado é sempre um crossover entre várias heroínas de temporadas passadas.

Além disso, desde a 13ª temporada, tem sido comum que o último episódio de cada série mostre as protagonistas da temporada em questão encontrando a líder das precures da série do ano seguinte, como uma prévia divertida para os fãs da franquia.

Ao longo dos anos, Precure acumulou 18 temporadas, com 16 gerações de heroínas (e contando!) e tem se mantido entre os animês mais populares do Japão graças ao seu apelo ao público infantil e suas histórias bem contadas cheias de ação e comédia, o que de certo modo, acaba agradando adultos também.

Os elementos de Precure

Apesar da mudança de heroínas e temas, as séries de Precure contam com elementos em comum entre si que fazem com que uma temporada guarde algumas semelhanças com a que vem em seguida e assim por diante. Esses elementos vão além do grupo de heroínas que combatem o mal: são personagens e situações que dão certa “identidade” à franquia (embora por vezes, uma série ou outra resolva não utilizar um ou outro elemento, o que a torna consideravelmente diferenciada).

Imagem: Ilustração de clearfile ("pastinha") de 'Star Twinkle Precure', com as cure Star e Milky.
Cures de Star Twinkle (2019). | Divulgação: Toei/Animage.

O primeiro elemento importante são as mascotes. Quem acompanha a franquia já está acostumado com elas: são bichinhos fofos como gatos, coelhos ou fadas coloridas, que falam e acompanham as heroínas em todos os episódios.

A importância de uma mascote para a história pode variar: algumas vezes elas atuam como mentoras(es); outras vezes elas estão ali apenas como alívio cômico e para que a Bandai possa vender pelúcias com merchandising da série.

O comum é haver entre uma ou duas mascotes, mas em algumas temporadas, cada uma das precures tem a sua “mascote” particular. Quando isso acontece, as heroínas costumam precisar da ajuda desses bichinhos fofinhos para se transformar.

E por falar nas heroínas em si, um elemento importante da franquia é a “mid-season cure” ou precure da metade da temporada. É como o 6º ranger de Power Rangers: uma heroína que surge só na metade da história para se unir ao restante do grupo na luta contra o mal.

Nem todas as temporadas tem a sua “mid-season cure”, mas ao longo dos últimos anos, tem sido cada vez mais comum a aparição dessas personagens.

Elas surgem quase exatamente na metade de uma temporada, lá pelo 20º episódio de cada série (podendo vir antes ou depois). Quando aparecem, é comum que tanto a abertura, quanto o encerramento de uma temporada, sofra modificações para incluir a nova personagem junto ao time. Além disso, algumas temporadas contam com não uma, mas duas “mid-season cures” – algo bem raro, mas que vez ou outra acontece. Neste caso, as duas mid-season cures podem estrear juntas ou a série guardar a última precure da temporada para alguns episódios depois.

Outro elemento interessante a ser citado são os ataques das personagens. Toda precure tem seu “ataque solo”, mas lá pelo 10º episódio de uma temporada, elas ganham um ataque em grupo para derrotar vilões mais poderosos. Mais para frente, esse ataque em grupo evolui para um novo ataque (agora incluindo a mid-season cure). Não existe um limite para ataques em grupo, mas é muito incomum que as heroínas tenham mais de 3 ataques desse tipo em uma mesma temporada.

Por fim, vale citar os vilões: toda temporada de precure tem pelo menos 3 “generais” do vilão principal, que são os personagens que ao longo da história vão infernizar a vida das heroínas criando monstros para atacá-las. Em geral, esses generais são mais cômicos que o vilão principal e costumam cativar os fãs tanto quanto as heroínas principais.

Por onde começar a ver Precure?

Agora que você conhece um pouco do que é Precure e quais elementos estão sempre presentes, você deve estar pensando: “Ok, mas por qual temporada eu começo a assistir Precure?”. A resposta é bem simples: pela temporada que você quiser.

Como cada temporada de Precure tem uma trama fechada, com personagens únicos e sem relação com temporadas do passado ou do futuro, é possível começar a ver qualquer temporada como quem começa a ver um novo animê: basta dar play no primeiro episódio e curtir a história que está sendo contada.

Imagem: Pôster promocional de 'Hugtto Precure'.
As cures de HUGtto! | Divulgação: Toei.

Há apenas uma exceção a essa regra: a temporada de 2018, chamada HUGtto! Pretty Cure. Essa temporada possui referências e a participação de personagens de temporadas passadas, de modo que quem quiser compreender com totalidade todas as referências, precisa ter assistido às temporadas anteriores.

Ainda assim, a trama principal de HUGtto! é fechada em si, então caso você não se importe de perder as referências (coisa que sempre deixa os fãs felizes), também é possível assistí-la sem problemas.

Qual a melhor temporada de Pretty Cure?

Essa pergunta é difícil de responder, pois cada fã terá a sua favorita. Entretanto, parece haver certas temporadas que se destacam em listas de “melhores séries de Precure” do que outras.

Imagem: Laura com os óculos de Minori, que está logo atrás da personagem.
Laura e Minori, de Tropical-Rouge. | Reprodução: Toei.

Uma delas é HeartCatch Precure!, de 2010. O grande destaque desta temporada é o ótimo roteiro dos episódios que conseguiu unir bem comédia com situações mais dramáticas e cenas de ação. Além disso, a temporada trabalhou temas bem sérios como perda, frustração e depressão de uma forma bastante competente, principalmente para um anime infantil.

Muito disso se deve graças a Cure Moonlight, uma das protagonistas da temporada. Ela é provavelmente até hoje a Precure com a história mais trágica da série e seu arco é desenvolvido durante toda a temporada, sendo inclusive importante para compreender as motivações de dois dos principais vilões de HeartCatch.

Imagem: Card promocional de 'HeartCatch'.
As heroínas de HeartCatch. | Divulgação: Toei.

Outra temporada bastante elogiada pelos fãs é Go! Princess Precure, de 2015. A temporada não inova em termos de elementos, seguindo bem os padrões esperados para uma série de Precure, mas tem um dos melhores desenvolvimentos de personagens de toda a franquia. Durante a temporada, é notável a evolução de cada uma das protagonistas, bem como da trama, que é bem amarrada.

Go! Princess também não teve medo de tratar de temas mais sérios. O arco de uma das protagonistas, por exemplo, envolve a garota tendo de superar seu medo pela vilã principal, que chegou a sequestrá-la quando criança. O modo como a personagem age lembra de certo modo os relatos de pessoas que sofrem de distúrbio de estresse pós-traumático e a superação do trauma pelo qual ela passou é um dos pontos altos da temporada.

HUGtto! Pretty Cure é outra temporada que muitas vezes figura entre listas de melhores temporadas feitas por fãs. O principal motivo é o modo como HUGtto! funciona como homenagem para a franquia como um todo, além de apresentar personagens carismáticas que quebrar alguns preceitos criados pela franquia. Os vilões dessa temporada também são um destaque, com muitos fãs considerando que são alguns dos antagonistas mais humanizados da franquia.

Por fim, vale citar que Futari Wa Pretty Cure é outra temporada que os fãs guardam no coração. Como se trata da primeira temporada da série, muitas pessoas a consideram uma das melhores (se não a melhor). De fato, a temporada te um frescor único e vale ser lembrada quando listas como essa são feitas.

Quais temporadas de Precure chegaram ao Brasil?

Imagem: Cures Grace, Fontaine e Sparkle de 'Healin' Good Pretty Cure'.
As Cure Sparkle, Grace e Fontaine de Healin’ Good. | Reprodução: Toei.

Atualmente, há três temporadas de Pretty Cure que podem ser vistas através da Crunchyroll. A primeira temporada a chegar por lá foi Healin’ Good Pretty Cure, de 2020, que ganhou episódios semanais sendo exibidos ao mesmo tempo que no Japão.

Logo depois da estreia dessa temporada, a Crunchyroll estreou Kira Kira Precure a La Mode, temporada de 2017 que foi lançada com todos os episódios de uma vez no serviço. Atualmente, o streaming também exibe Tropical-Rouge! Precure, a temporada de 2021 da franquia, com episódios inéditos todas as noites de sábado. Aqui no JBox, você confere resenhas regulares dos episódios dessa temporada.

Vale ainda ressaltar que na Netflix é possível assistir a Glitter Force, uma versão americanizada de Pretty Cure.

O que é Glitter Force?

Imagem: As Cures em 'Glitter Force'.
Imagem promocional de Glitter Force (ou Smile! Precure) | Divulgação: Toei/Hasbro.

Glitter Force foi uma adaptação americana de Pretty Cure criada pela Saban Brands e exibida a partir de 2015 pela Netflix. Duas temporadas da franquia foram adaptadas e lançadas como duas séries diferentes: a Glitter Force “original”, de 2015, e Glitter Force: Doki Doki, que estreou em 2017.

A primeira temporada foi uma adaptação de Smile! Precure (2012) e, como era de se esperar da adaptação de uma empresa americana, contou com mudanças nos diálogos e nomes dos personagens. Além disso, a Saban cortou 8 dos 48 episódios da série e dividiu Glitter Force em duas partes de 20 episódios.

O corte dos episódios gerou revolta por parte de diversos fãs da franquia, embora, justiça seja feita, eles não afetam o entendimento da obra no geral. Boa parte dos episódios cortados tinham como foco problemas cotidianos das protagonistas com a família ou com assuntos considerados mais “dramáticos”, como um episódio em que uma das garotas se apaixona por um menino. Fica assim a impressão de que a Saban queria evitar muito drama e romance, e por isso cortou os episódios.

Os capítulos restantes, porém, são suficientes para se ter uma compreensão da história principal, uma vez que a adaptação de nomes, ataques e locações não afetam essa questão.

Entretanto, além dos cortes, outra polêmica tomou conta de Glitter Force, pelo menos em seu lançamento no Brasil: a dublagem da série. Realizada no estúdio The Kitchen de Miami, a versão brasileira foi alvo de duras críticas devido ao modo estranho e sem emoção como as personagens falavam. De fato, há momentos em que a dublagem é totalmente incompreensível, desagradando muita gente que assistiu à primeira temporada.

Isso mudou na temporada seguinte, Glitter Force: Doki Doki, adaptação de DokiDoki! Precure (2013). A temporada em questão recebeu dublagem no Rio de Janeiro com nomes como Flávia Saddy, Hannah Buttel, Rita Avila e Mariana Torres no papel das protagonistas.

Infelizmente, a Saban transformou uma temporada de 49 episódios em uma série de apenas 30 episódios. No caso, além de episódios cortados, houve casos de “união” de dois episódios para a temporada passar mais rápido. O fato deixou a série confusa e seus arcos um tanto quanto desconexos.

Desse modo, no Brasil, Glitter Force sofreu um duro golpe duas vezes: uma vez por causa de sua dublagem; e uma segunda vez por causa das adaptações da Saban que bagunçaram totalmente a segunda temporada da série, ao contrário da temporada original.

Em 2017, a Saban devolveu a marca Glitter Force para a Toei, posteriormente adquirida pela Hasbro. As duas temporadas ainda podem ser conferidas pela Netflix.


O texto presente neste artigo é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.


Recomendação: Se você gostou deste texto, leia também nossa matéria sobre as garotas mágicas da Toei após Sailor Moon.

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