Imagem: Poster promocional da segunda temporada de Ultraman, em enquadramento de resenha do JBox.

Crítica | ULTRAMAN (2ª temporada)

Os novos seis episódios se distanciaram de maneira gritante do propósito do mangá de Shimizu e Shimoguchi, deixando a trama menos emocionante e muito brega.

A dupla Eiichi Shimizu e Tomohiro Shimoguchi (ambos de Linebarrels of Iron) conseguiu criar uma ótima história através do mangá ULTRAMAN, considerando apenas os eventos da série tokusatsu de 1966, recriando heróis das produções seguintes da era clássica e sempre respeitando o legado das primeiras séries Ultra.

O mangá ganhou uma digna adaptação para animê em CG em 1º de abril de 2019. Foram 13 episódios para a primeira temporada, que teve algumas mudanças que não interferiram muito nos rumos da trama. A segunda temporada estreou na Netflix nesta quinta (14) e já podíamos esperar algumas mudanças de roteiro, como a introdução de Izumi – a namorada de Kotaro Higashi e os Alienas Wadoran.

Quem acompanha o animê e não leu nada do mangá talvez encare a nova remessa de episódios numa boa. Mas quem leu a saga focada em Ultraman Taro no mangá, provavelmente vai se decepcionar não com apenas uma ou outra mudança, mas várias. Os novos seis episódios se distanciaram de maneira gritante do propósito do mangá de Shimuzu e Shimoguchi, deixando a trama menos emocionante e muito brega.

Imagem: O Ultraman Taro.
Ultraman Taro em chamas | Foto: Divulgação/Tsuburaya/Production I.G/Sola Digital Arts

A trama da segunda parte do animê se passa diante de um misterioso fenômeno onde pessoas desaparecem. Kotaro Higashi (contraparte do hospedeiro de Ultraman Taro na série homônima de 1973) e sua namorada Izumi (uma provável homenagem à Izumi Moriyama, assistente da ZAT em Ultraman Taro) investigaram sobre tal fenômeno.

Ambos acabam se metendo numa cilada formada pela organização terrorista Estrela Negra (ou Estrela das Trevas, na versão do mangá pela Editora JBC). Ao ser atacado, Higashi adquire um incrível poder de fogo que só pode ser controlado por uma armadura criada pela Patrulha Científica (SSSP; Special Science Search Party).

A releitura de Kotaro Higashi foi melhor desenvolvida no mangá, onde a Estrela Negra executava seu plano originalmente em Nova Iorque. Ao invés de Izumi, Higashi contava com a ajuda de seu amigo Dave, e criou seu próprio traje de Ultraman – o visual era bem brega, diga-se.

Imagem: Os 6 ultras da série!
A Irmandade Ultra do animê da Netflix | Foto: Divulgação/Tsuburaya/Production I.G/Sola Digital Arts

Inclusive, demorou bastante para Taro ganhar sua própria armadura no mangá, mais precisamente no volume 14 – o arco de Nova Iorque já tinha acabado. Shimizu não queria que Taro tivesse uma armadura, mas acabou cedendo depois de parceiros comerciais, incluindo a própria Tsuburaya, perguntarem constantemente quando o herói ganharia uma armadura.

A impressão que fica é que o “Ultraman Number Six” do animê foi meio que jogado para cumprir tabela de produção. Dá pra notar que a trinca Tsuburaya, Production I.G e Sola Digital Arts não teve esmero pelo desenvolvimento do personagem, que ficou menos interessante por aqui. Tá certo que já era esperado que ele já ganhasse uma armadura para atender os apelos comerciais (ganhando até Ultra Distintivo, elemento da série de 1973), mas faltou aí uma boa carga dramática. E sem contar que não conquistou uma armadura, mas ganhou fácil demais.

Nessa brincadeira toda, Shijiro Hayata, o novo Ultraman, perdeu praticamente seu protagonismo. Dan Moroboshi/Ultraman ver. 7.1 perdeu a chance de ter sua verdadeira origem explorada. E Hayata, coitado, quase não se torna o representante de Zoffy, o primeiro dos Irmão Ultra (que aparece originalmente no último episódio da série original de Ultraman).

Imagem: Maya, a nova personagem de Ultraman.
Maya, uma alien inexistente no mangá de Shimizu e Shimoguchi  | Foto: Divulgação/Tsuburaya/Production I.G/Sola Digital Arts

A versão brasileira da segunda temporada de ULTRAMAN foi realizada desta vez pela Alcateia Audiovisual (a primeira foi pela BTI Studios) e o destaque fica para Felipe Grinnan como Taro. Particularmente eu gosto da atuação dele, mas já não tem mais o mesmo fôlego para gritar como nos tempos em que emprestava sua voz para T.J. em Power Rangers Turbo e Power Rangers no Espaço – fato até compreensível pelo tempo.

Este foi seu terceiro personagem na franquia Ultraman. Grinnan também dublou Glenfire no filme Ultraman Zero: A Vingança de Belial e Nozomu Taiga, o então novo hospedeiro de Ultraman Zero no filme Ultraman Saga. Só pra fechar a lista de personagens de tokusatsu, Grinnan também dublou o Mestre Ryukendo em Ryukendo.

E um detalhe que merecer ser registrado: a dublagem até que acertou a pronúncia do Kotaro, que é na proparoxítona. Mas errou no nome de Taro, chamando o herói de “Táro”, quando originalmente é “Tarô” – na oxítona. Um erro bem bizarro para os fãs que são inveterados há anos ou décadas.

A segunda temporada de ULTRAMAN é decepcionante em todos os sentidos. Nem as referências às séries clássicas, nem a reunião dos Seis Irmãos Ultra, nem a abertura (que não existia na primeira temporada) e nem as dancinhas do encerramento salvam a adaptação da saga de Taro. Aliás, não há quase nada para comparar com o mangá, que continua sendo um item indispensável e obrigatório para os fãs da franquia.

Dá até receio de uma terceira temporada, que provavelmente será baseada no arco dos Irmãos Leo – ou talvez numa novela mexicana com aquele dramalhão de dar sono.


O texto presente neste artigo é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.

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