Imagem: Tanjiro um tanto decepcionado em 'Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba'.

Demon Slayer – Kimetsu no Yaiba: Lucro com bilheteria dificilmente chega nos bolsos de mangaká

Koyoharu Gotouge talvez esteja nadando em algum dinheiro… Mas não pelos motivos que muitos acham.

O filme de Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba segue batendo recordes em bilheteria, fazendo muitos imaginarem que Koyoharu Gotouge, mangaká da obra, está nadando no dinheiro agora. Mas quanto ganha um autor de mangá com adaptações no cinema? Segundo artigo do Business Journal, não é muito. Independente de estrondosas bilheterias, os autores num geral recebem apenas o valor referente a uma “licença pelo uso”, paga durante a produção do longa.

Pelas regulações da Associação Japonesa de Escritores, o teto é de 10 milhões de ienes (514 mil reais), mas segundo o roteirista de filmes Hotaka Sugimoto, o preço de mercado fica geralmente em torno de 2 milhões (102 mil reais). Ainda de acordo com ele, no caso de filmes inspirado em mangás, o valor fica por volta de 4 milhões (205 mil reais), mas uma porcentagem é paga pela editora ao autor – e essa porcentagem depende do contrato.

No caso de Kimetsu, como Gotouge é mangaká iniciante, é improvável que o contrato assinado com a Shueisha lá em 2016 incluísse altas porcentagens. Além disso, o longa teria sido já acordado junto com a produção do animê, ou seja, bem antes da série estourar. Tudo isso torna muito improvável que lucros do filme cheguem aos bolsos dela e, se chegarem, é difícil ser uma quantia alta.

Ainda segundo Sugimoto, os lucros são divididos entre as empresas que produziram o filme. Por vezes, as editoras participam do comitê de produção, isso tornaria possível o recebimento de alguma porcentagem pelo autor, no modelo de comissão… Mas a maioria delas não quer dividir esses lucros com os autores. Esse deve ser o motivo pelo qual alguns mangakás de renome entram como produtores executivos de filmes e animações de franquias suas.

A Shueisha está entre os produtores do filme, junto com a Aniplex e o estúdio ufotable – as três aparentemente dividem os lucros de bilheteria sozinhas, mas é impossível saber se Gotouge ganha alguma comissão. Só que ainda há uma luz no fim do túnel: autores geralmente recebem uma pequena comissão da venda de DVDs e Blu-ray, calculada na proporção 1,75% do preço unitário x número de envios (às lojas de varejo, provavelmente).

Assim, se Mugen Train vender 1 milhão de cópias de home-vídeo por 4000 ienes, a autora ganharia 70 milhões de ienes com isso (3,6 milhões de reais). Gotouge ainda deve ganhar algo com transmissão na TV/streaming, venda de mangás e produtos, seja por meio de uma licença de uso ou por uma comissão. Mesmo assim, parece uma quantia muito baixa perto do dinheiro que as empresas fazem em cima de sua obra.


Fonte: Business Journal


A trama de Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba se passa no Japão do período Taisho e apresenta a história de Tanjiro Kamado, um garoto de bom coração que vendia carvão para sobreviver, até o dia que seus pais foram cruelmente assassinados por um demônio, que também amaldiçoou sua irmã mais nova, transformando-a num demônio. Embora devastado com tudo que lhe aconteceu, Tanjiro decide tornar-se um “matador de demônios,” procurando aquele que massacrou sua família, enquanto também tenta encontrar um meio para que sua irmã volte a ser humana novamente.

O mangá de autoria de Koyoharu Gotoge foi publicado na Shonen Jump entre 2016 e 2020, rendendo 23 volumes encadernados no total (o último sai em dezembro de 2020). A Panini publica o mangá no Brasil. A série foi um fenômeno de vendas em 2019 e já possui mais de 100 milhões de cópias em circulação.

A versão em animê tem produção do estúdio Ufotable, e é exibida oficialmente no Brasil, até agora, via streaming pela Crunchyroll, com legendas em português. Em dezembro de 2020 chega também pelo catálogo de estreia da Funimation.

O filme continuando a série estreou em 16 de outubro no Japão.

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