Imagem: Tanjiro Kamado em 'Montanha Natagumo'.

Fundador do ufotable alega ter sonegado imposto para não ficar no vermelho

Hikaru Kondo disse às autoridades que sonegou impostos para manter as contas do estúdio no azul.

Condenado por sonegação de imposto, Hikaru Kondo, fundador e ex-presidente do estúdio ufotable, comentou, quando interrogado pelas autoridades, o caso. Ele alega que o motivo para manter dinheiro ilegalmente em casa era para “garantir a sustentabilidade do estúdio”.

Segundo Kondo, as produções sempre têm altos custos e os clientes pagam pouco. O estúdio sobrevive de cafés e restaurantes temáticos e venda de merchandising. Quando uma série não atrai público o suficiente, o estúdio fica no vermelho. E foi para evitar isso que ele sonegou impostos, em sua versão dos fatos.

Como os cafés temáticos só aceitam pagamento em dinheiro, em função das altas taxas de cartão de crédito, não foi tão complicado fechar os registros para os funcionários, deixando eles sem saber o fluxo de caixa das lojas. Assim, Kondo e o ufotable exlcuíam algumas transações desses estabelecimentos e colocaram algumas vendas de God Eater para o ano fiscal seguinte, reduzindo com isso o valor declarado – ou seja, sonegando imposto.

O ex-presidente alega ter usado esse dinheiro para pagar os passivos da empresa, como contas e até a compra de um novo prédio. Ele complementa que esse é um problema estrutural da indústria de animação.

Segundo suas palavras, apenas uma em cada dez produções, em média, se tornam um hit. E as que “flopam” não vendem o suficiente, nem atraem muitos compradores aos cafés. Enquanto isso, a qualidade exigida nas produções só aumenta, tornando o negócio pouco viável, ainda mais que os clientes delimitam um orçamento baixo. Sendo assim, aceitar um trabalho é ficar no vermelho.

Kondo disse que o mais comum é pagar freelancers pela participação individual, mas não acha esse um bom modelo, então passou a dar para diversos colaboradores para um salário mensal. Eventualmente, aumentou em duas vezes o número de empregados em tempo integral (e ainda havia os bônus). Isso tudo, em suas palavras, para poder criar boas produções, mas enquanto o custo, não só de pessoal, subia, os clientes continuaram pagando pouco.

Ainda segundo ele, hoje o estúdio abriga 200 empregados integrais, e trabalha junto a um consultor para pensar novos modelos de trabalho e seguro social. Ele também diz que não assumiu mais nenhum trabalho desde que foi indiciado formalmente em junho (e acusado em julho), mas segue trabalhando nos contratos já assinados anteriormente. Ao que parece, o ufotable realmente não vem aceitando novas propostas.

O estúdio, responsável pela animação da atual febre Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba, também foi condenado, e terá que pagar uma multa de 40 milhões de ienes (1,9 milhão de reais). O ufotable anteriormente já anunciou ter pago o valor devido em impostos. A sonegação teria ocorrido antes do animê de Kimetsu sair e fazer sucesso.

Vale lembrar que esta foi a versão dada pelo réu às autoridades em seu julgamento.

De acordo com o Yahoo Notícias, estatísticas sustentam ao menos parte dessas alegações. De acordo com um relatório de 2019 da Associação Japonesa de Criadores de Animação, a média de horas trabalhadas é de 230 – por mês, presumimos, já que os salários geralmente são medidos por mês no país. Uma jornada de trabalho de 8 horas de segunda a sexta seria umas 160-180 horas por mês.

Vários profissionais contam como é difícil sobreviver nessa indústria, física e mentalmente, e que o pagamento é baixo, tornando difícil a sobrevivência básica, mesmo com algumas poucas melhoras recentemente (os mangakás também não trabalham sob as melhores condições).


Fonte: Yahoo Notícias