Otaku Neoclássico #20: Persona 4: The Animation

So, Let’s reach out for the truth!

Megami Tensei é uma franquia de jogos de RPG bastante conhecida, até mesmo aqui no ocidente. Criada pela Atlus, ela está ao lado de gigantes como Final Fantasy (e eu acho MegaTen uma franquia bem superior a FF, só para constar) e Tales of.

Dentro do universo de Megami Tensei, existe a franquia Persona, atualmente a mais popular da empresa, uma série que mistura elementos fortes de Visual Novel e RPG.

Em 2008, foi lançado Persona: Trinity Soul, um anime spin off de Persona 3. Criticado pelos fãs por não adaptar o jogo em si, a série não se saiu muito bem. Por bastante tempo se esperou uma nova adaptação de um jogo da franquia e, finalmente, em outubro de 2011, estreou no Japão Persona 4: The Animation.

O anime conta a história de Yu Narukami, um estudante do segundo ano (por que sempre do segundo ano? Qual o lance?) que se muda da área urbana para Inaba, uma cidade rural do interior Japão. Lá ele conhece várias pessoas e se envolve na investigação de misteriosos desaparecimentos, enquanto desperta o misterioso poder das Personas.

Bom, antes de seguirmos adiante devo esclarecer que eu joguei Persona 4 (embora não tenha fechado o segundo ciclo para conseguir o True Ending…) então muito do que eu disser aqui vai estar relacionado ao anime como uma adaptação. Com isso resolvido, vamos em frente, aye?

Adaptar uma obra para outra linguagem é sempre difícil. Eu já disse isso aqui várias vezes e acho que vocês devem até estar cansados de ouvirem (ou não, sei lá). Mas se já é difícil transformar um livro ou um mangá num anime, quem dirá fazer o mesmo com uma mídia tão cheia de ferramentas narrativas quanto um jogo? E se adaptar um jogo já é difícil, adaptar um JRPG (existem diferenças o bastante entre os RPGs ocidentais e os japoneses para muitos considerarem-nos gêneros diferentes) é ainda mais.

Para aqueles que não são familiares com o termo, JRPGs são jogos, em geral, muito longos, com diversas missões extras que revelam partes da história ou dão detalhes sobre personagens e, em alguns casos, com finais alternativos, como é o caso de boa parte da franquia MegaTen. E o primeiro problema surge aí: como transformar um game com quase cem horas (dependendo de como se jogar) em uma série de vinte e tantos episódios de vinte minutos? Simples. Cortando tudo que não for essencial à história.

Sendo um Dungeon Crawler (subgênero do JRPG que se caracteriza por exploração de cenários infestados de monstros e com fortes elementos de Visual Novels), muitas dessas quase cem horas são, puramente, exploração. Cortar isso era a escolha mais óbvia. Mas, naturalmente, eliminar totalmente esse fator descaracterizaria a série.

Para contornar o problema, o diretor Seiji Kishi (que teve o trabalho absurdo de dirigir Carnival Phantasm, uma gag series do Nasuverso) inclui sequências rápidas desse “dungeon crawling”. Com isso eliminado, a trama pôde se focar em seus aspectos mais importantes: as relações entre personagens. Sobrou até mesmo espaço para adicionar algumas coisas (como aumentar o Jogo do Rei, hihi).

O trabalho de adaptação foi simplesmente incrível. Tanto é que, desde o primeiro episódio, muitos consideravam essa a melhor adaptação de um jogo já feita (como o pessoal do Chuva de Nanquim. Leiam a análise deles do primeiro episódio, aliás. É bem maneira). Sobre isso, prefiro não opinar, afinal, ainda não vi todas as adaptações de jogos já feitas, mas que é bem possível que seja, isso é.

A série, aliás, é cheia de fanservices (e que fique claro que fanservice não é só mostrar calcinhas, mas fazer qualquer tipo de coisa que agrade os fãs e não seja exatamente necessário para a obra) para quem jogou o RPG. A trilha sonora é quase a mesma do jogo, e em dado episódio a música de abertura do terceiro jogo (Burn my Dread, cantada por Yumi Kawamura) é usada como abertura. Quer mais fanservice que isso?

Há também os momentos onde a série dá aos espectadores o fanservice mais normal (tanto para os espectadores quanto para as espectadoras, não é, Narukami-kun?). Só senti mesmo falta do Mara…

Mas, e para quem não conhece o jogo, há o que ver? Bem, esses também vão ter do que gostar na série. As cenas de ação são bastante interessantes e cada take está recheado de uma energia jovem, de um ritmo animado, criando uma atmosfera que só consigo descrever como badass. Muitas séries tentam ser modernosas e acabam falhando nisso, mas Persona 4 não.

Apesar de todas as diferenças culturais entre Brasil e Japão (o Jogo do Rei seria muito mais, digamos, tenso por essas bandas) é possível reconhecer os problemas da juventude atual nas personagens. Incertezas, medos, paixões, a confusão caótica dos sentimentos, tudo é feito para criar uma ligação entre atores e espectadores. Talvez seja isso que tenha tornado a franquia Persona a mais popular da Atlus.

A série foi bem recebida no Japão e já está sendo dublada nos Estados Unidos (com o mesmos dubladores do jogo até) pela FUNimation e será lançada ainda esse ano. Um episódio extra com o Verdadeiro Final do jogo será lançado junto com o BD. As chances de chegar ao Brasil, como sempre não são lá muito boas. Na verdade, não tem nem sentido manter essa parte já que nada novo chega ao Brasil mesmo…

Persona 4: The Animation é, de longe, uma das melhores coisas a saírem no ano passado. Uma série divertida e agitada que mostra que é sim possível fazer bons animes de bons jogos. So, Let’s reach out for the truth!

E, da próxima vez, vamos falar de um assunto muito mais temperado. Continuem sonhando…

Título: Persona 4: The Animation
Estúdio: AIC A.S.T.A.
Direção: Seiji Kishi
Número de Episódios: 25 e um OVA

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