[div coluna1]Jiraya, O Incrível Ninja
Sekai Ninja Sen Jiraiya (Guerra do Mundo Ninja Jiraiya)
Produção: Toei Company, 1988
Episódios: 50 p/ tv
Criação: Saburo Hatte
Exibição no Japão: Tv Asahi (24/01/1988-15/01/1989)
Exibição no Brasil: Manchete – Rede TV!
Distribuição: Top Tape (posteriormente Tikara Filmes)
Mangá: Tv Magazine
Disponível em: VHS e DVD

Última Atualização: 20/03/2010

Por Larc Yasha

Depois de Jaspion e Changeman, o tokusatsu de maior sucesso no Brasil sem sombra de dúvidas foi Jiraiya. Produzido em 1988 pelos estúdios da Toei, Jiraiya faz parte da linhagem dos Metal Heroes (a mesma de Sharivan, Spielvan, Jaspion…) e deveria ter sido distribuído pela Everest Vídeo por essas bandas. Só que a demanda de produções era tanta, que o Sr. Toshihiko Egashira teve que ceder os direitos para outra distribuidora – no caso, a Top Tape.

Algumas pessoas costumam questionar a “classificação” de Jiraiya como uma série metal hero. É bem verdade que a Toei tentou desvencilhar-se de uma série de clichês usados à exaustão nas outras produções (coisa que já tinha começado a fazer com Jaspion e Metalder) e o resultado final ficou curioso. A temática ninja diluída em bastante fantasia infantil – eu pelo menos não levava a sério muitos ninjas daquele tal Império :P – não conseguiu atingir um sucesso gigantesco, mas teve bem mais êxito que Metalder em sua terra natal.

Dizem por aí que o sucesso da série foi o suficiente pra Toei cogitar em lançar uma sequência no ano seguinte (1989). Pelo menos essa é a desculpa pra que Jiban, que sucedeu o herói ninja, tenha ficado “mal acabado” (sem cena de transformação, BGMs próprias…). Como curiosidade, o personagem Manabu (Takumi Hashimoto) apareceu em um episódio de Jiban, e em 1992 foi o Tigre Dentes de Sabre na versão original dos Power Rangers (Jyu Ranger).

Sucessor de Togakuri: Jiraiya!
A Famíla Yamashi (Yamaji, no original) é detentora da metade de uma inscrição que revela o paradeiro de Pako, uma cápsula de energia milenar cobiçada por Dokussai e sua família de Feiticeiros. Quando o vilão ataca com tudo a fim de tomar a inscrição para si (já que ele tem a outra metade) o velho mestre Tetsuzan entrega ao 35º representante do clã dos Togakuri, Toha, a armadura e espada de Jiraiya. E logo de cara, Toha precisa usá-la para salvar sua irmã de criação, Kei, sequestrada por Retsuga e Benikiba (capanga pela-saco vestido com um pijama, e filha de Dokussai respectivamente).

Contratando o serviço de um tal “Império dos Ninjas” – que reúne os tipos mais esquisitos do mundo – Dokussai faz de tudo para derrotar Jiraiya e a família Yamashi, mas os mocinhos não irão permitir que a inscrição caia em mãos erradas de jeito algum.

Jiraiya conta com a ajuda de muitas pessoas. Sua irmã, Kei, também põe uma armadura e se torna Eminin Emiha. Uma prima distante do herói, chamada Rei Yagiu, também entra na luta pondo um maiô branco, um capacetinho (que parece um pinico high-tech XD), meias Vivarina (resistentes pra kct ò_ó) e uma katana nas costas XD. Até o fedelho Manabu se mete a enfrentar os inimigos!

Ao longo das aventuras, um monte de ninjas do Império vai virando a casaca e se aliando ao herói. Logo no começo da série, o poderoso (e cachaceiro XD) Kanin Dragon força Jiraiya a incrementar sua armadura com ombreiras e um visor especial, deixando o herói com um visual irado. Engraçado é ver os vilões burros sempre querendo atacar justamente nos ombros do cara…

O clímax da série se dá quando as duas metades da inscrição se unem e ao invés de Pako, surge o imponente (e esquisito) Deus Jirai – o robô gigante do herói! Aracnin Morgana (Machiko Soga, a mesma atriz que anos depois faria Bandora, a Rita Repulsa original, em Jyuranger) se une à Família de Feiticeiros, o que faz a gangue um pouco mais perigosa. Um tal de Hoshinin Dellstar (com cabeça de disco voador do Kiko XD) aparece e dá um trabalhão. O pau come solto nos últimos episódios com todo mundo ajudando o herói e até Dokussai ficando gigante (!).

Vencidos todos inimigos, Jiraiya precisa se desfazer de sua espada e robô (que carregava Pako dentro de si) para que a “Estrela da Trevas” de Dellstar não colida com a Terra. Assim, Deus Jirai e a Espada Olímpica partem pro espaço sideral e Toha se torna um mestre das artes ninja.

Coisas que a gente nunca esquece…
Jiraiya consegue conquistar o público graças ao carisma de seus personagens. Toha vive fazendo bicos pra conseguir uma grana, e apesar de estar envolvida numa luta contra o mal, a Família Yamashi tenta levar uma vida comum – como ninjas modernos, de acordo com as palavras do velho Tetsuzan. A comédia sempre tem espaço, principalmente por causa do elenco de apoio e das situações que os roteiristas criam. Pra você ter noção, o cachorro e o pombo da família também eram ninjas! Isso sem contar com pérolas da dublagem brasileira – como o vilão “Junin Macumba”. Não, ele não batia um tamborzinho XD.

O visual da série não é dos piores – as armaduras de Toha e da Kei são bacanas – mas alguns vilões possuem uma aparência bizarra. Os fãs que me perdoem, só que aquele ninja com roupa de mergulho, o outro com um cone de cartolina na cabeça, e um punk-gordassa-turco não figuram na galeria dos “melhores vilões” do tokusatsu de jeito nenhum :P. Isso sem contar que no Império dos Ninjas tinha espaço pra um motoqueiro ciborgue e pra um Cavaleiro da Távola Redonda – que atira crucifixos como shurikens @_@.

A trilha sonora é 10, com o básico do pop japonês da década de 80, interpretadas por nomes como Akira Kushida. As músicas de fundo ecoam na mente dos fãs até hoje – como esquecer a musiquinha tema da Espada Olímpica *_*? Os temas no Brasil não ficaram muito ruins (ou vai dizer que você não lembra de cor e salteado a letra?) e todo mundo que assistia a série na época queria, porque queria, ter uma espada ninja!

Na última reprise da Rede TV! muita gente se assustou com a pobreza da produção, mas nada que a magia e as lutas coreografadas não conseguissem nos fazer esquecer desse pequeno detalhe.

Fenômeno no Brasil
Exibido na Manchete no começo dos anos 90, a série deu um empurrão para o sucesso das práticas de artes marciais no Brasil. Da mesma forma que Naruto despertou o interesse em pivetes para aprender ninjutsu, a molecada se fascinou com Jiraiya e queria aprender, de qualquer forma, a bater que nem o herói da tv. Com isso, os moleques corriam pra academias e deixavam os senseis de cabelo em pé :P. Mas graças a isso, a difusão de vários estilos marciais orientais ficou até mais eficaz, dando espaço, por exemplo, para o Tae Kwon Do – alguém lembra das aulas do Mestre Kim?

Algumas curiosidades na versão brasileira merecem ser comentadas: o narrador falando Ninja Olimpíada, a tal Espada Olímpica… Na época da série ir ao ar, alguém achou interessante associar o herói e seus apetrechos a esportes. Foram lançados dois LP’s pela Top Tape e no primeiro você ainda podia conferir as versões originais (algo inédito na época e até os dias de hoje!). Os temas de abertura e encerramento ganharam versões brasileiras que hoje podem ser consideradas “cults”. Cantadas por Ronaldo Barcelos, as músicas ficaram muito bacanas e alguns consideram a versão brasileira do encerramento melhor que a original japa. Até quadrinhos o herói teve! Lançados pela EBAL, a qualidade altamente questionável não incomodava nem um pouco a gurizada :P.

A dublagem da série ficou a cargo da Álamo e contou com um punhado de vozes conhecidas pelos otakus de hoje em dia. Jiraiya, por exemplo, teve a voz de Mauro Eduardo – que encarnou o Inu Yasha na Parisi Vídeo. A irmã do herói teve a voz de Cecília Lemes (a eterna Chiquinha e a deusa Artemis no filme “Prólogo do Céu” dos Cavaleiros do Zodíaco). Já o fedelho Manabu, teve a voz de Hermes Baroli – o Seiya @_@ – em início de carreira. Seu pai, Gilberto Baroli, foi o segundo dublador do vilão Dokusai, e imprimiu sua “risada diabólica” inesquecível. O primeiro, Líbero Miguel, faleceu durante o trabalho e foi duplamente substituído, uma vez que ele também era o responsável pela direção da dublagem.

Os brinquedinhos venderam bastante. Várias fitas foram distribuídas e também venderam feito água, enchendo os bolsos da Top Tape, que até se arriscou no mundo dos animes lançando Projeto A-ko (Super Nova) e o clássico Demon City Shinjuku (com o apelativo nome de Poderes Eróticos). Entre os brinquedos mais cobiçados, estava a “Espada Olímpica” do herói. Na galeria dos esquisitos (coisa que a Glasslite adorava inventar) consta o “Tanque Ninja” X_x.

No Japão, os bonecos da série se assimilavam à coleção de um tal de “Saint Seiya” (:P), com bonequinhos com armaduras pra se encaixar. Por aqui, as versões de luxo conseguiam encantar a molecada com dinheiro – os pobrinhos compravam um de vinil todo duro XD. Curiosamente, uma coleção de bonecos emborrachados foi lançada nos EUA – onde a série nunca deu as caras.

Em 1999, a Rede TV! ocupou o lugar da Manchete, e antes da estreia da sua “programação oficial” (com aquele trash “Galera da Tv!” e o “Super Pop” com Adriane Galisteu) tapava buracos (que era uma imensa cratera por sinal) exibindo as aventuras do Incrível Ninja (junto do sentai Maskman e episódios de Shurato e Yu Yu) que estavam mofando nas prateleiras. Por essa razão você via os episódios tão desbotados (a armadura do herói, que era vermelha, estava rosa!) e com anúncios da venda de “discos e fitas” Top Tape :P. A Tikara Films (que era a detentora dos direitos, pois comprou a série da Top Tape) ainda tomou um calote da emissora e hoje o paradeiro dessas fitas é desconhecido…

Um evento tupiniquim trouxe em 2004 o ator Takumi Tsutsui ao Brasil e vários fãs tiveram orgasmos múltiplos ao verem o “Jiraiya”. O cantor de boa parte dos temas originais da série se tornou figurinha fácil em eventos no Brasil – sempre arrastando algumas milhares de pessoas para cantar aquele “japaguês” esquisito XD.

Em 2009 o sonho de milhares de fãs da série virou um pesadelo da noite para o dia. A empresa Focus Filmes anunciou o lançamento da série no mercado de DVD e depois da fantástica qualidade de Jaspion, uma expectativa monstruosa foi gerada em torno do Incrível Ninja. Divulgados o visual das embalagens que acomodariam os discos, a expectativa ficou ainda maior pois o trabalho de arte foi um dos melhores já realizados para o mercado.

Entretanto, os fãs que receberam as primeiras latas notaram após o “play” em seus aparelhos de DVD que “alguma coisa” estava errada… Pra ser mais exato, muitas coisas estavam! A começar pela qualidade da imagem… Antes do lançamento ofical da série, existia disponível no mercado pirata uma versão produzida por um fã que utilizou como fonte de imagem os episódios apresentados pelo canal Toei Channel. Como o padrão HDTV já existe a anos no Japão, a qualidade para os fãs que contavam apenas com velhas fitas VHS lançadas pela Top Tape no começo dos anos 90 para matar saudades do seu herói, era algo que enchia os olhos.

Qual não foi a surpresa dos fãs (que mesmo já possuindo o material alternativo, fizeram questão de comprar o original) ao constatar que a imagem dos DVDs oficiais da Focus Filmes era idêntica (com direito até ao logo em marca d’água do Toei Channel nos episódios x_x) à imagem dos seus DVDs piratas? Esse furo divino da Focus Filmes foi “justificado” pela empresa alegando que a própria Toei Company enviou as masters para autorar nossos discos com aquela qualidade. A pergunta que não quer calar é: ninguém revisou o que comprou?

Mas os problemas não ficaram só aí! A legenda em português, que segundo o gerente de marketing da empresa, Afonso Fucci, foi realizada pela empresa Centauro (famosa por grandes mancadas na dublagem de Pokémon,  Ryukendo e diversos animes  ¬¬’) não teve qualquer trabalho de revisão e erros homéricos de português ficaram autorados nos discos.

Para atenuar a cagada histórica, a Focus Filmes tratou de regular a nitidez, contraste, brilho e cor dos episódios no box 2. O trabalho das artes novamente ficou acima da média (consegue ser melhor que o japonês!), mas os fãs que compraram o box 1 já estavam furiosos o suficiente, a ponto de realizar um boicote em massa (algumas dezenas de pessoas provavelmente :P) ao lançamento.

Jiraiya se tornou eterno na memória de milhões de brasileiros, e mesmo que hoje em dia reparemos que as janelas eram de plástico (lembra da abertura?) ou os fios por trás dos (d)efeitos especiais, o saudosismo fala mais alto para uma grande maioria que não enveredou pro nerdismo. O herói está devidamente eternizado em lindas latas nas suas estantes. Pena que o conteúdo não esteja a altura do maior ninja de todos os tempos.

Checklist de Epísódios
01 – Paco, a cápsula miraculosa
02 – Barão Owl, o imperador ninja
03 – A esmeralda
04 – A retomada da inscrição
05 – O roubo da espada olímpica
06 – O mistério dos mistérios
07 – O caçador da selva
08 – O anjo da paz
09 – A emboscada
10 – A vida ou a morte
11 – A vingança do kung-fu
12 – A promessa do amor
13 – As sete sombras
14 – O franco-atirador
15 – A maldição lendária
16 – A cruzada dos ninjas
17 – A estrela das trevas
18 – A vingança de Agnes
19 – A invasão
20 – Procura-se Jiraiya
21 – A ira da Lua
22 – A dimensão da amizade
23 – O seqüestro dos cientistas
24 – O Capitão Pirata
25 – O rapto dos animais
26 – A primavera de Emiha
27 – Jiraiya, o inimigo de Torra
28 – Quem sou eu?
29 – A revolta do pequeno ninja
30 – O ninja solitário
31 – A espada de Chin Guen
32 – A percepção extrasensorial
33 – A guitarra cobiçada
34 – A caveira assassina
35 – O desafio dos Togakuri
36 – O feitiço do gato preto
37 – O homem de 2300 anos
38 – As mil e uma faces
39 – A conspiração de Morgana
40 – A traição
41 – Olímpica versus Satã
42 – Adeus, mamãe
43 – O indomável Strover
44 – O poder do amor
45 – A ponte da esperança
46 – Amizade perdida
47 – Manabu e seu primeiro amor
48 – O aparecimento de Paco
49 – O último confronto
50 – Adeus, Espada olímpica

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