Imagem: As cinco cures da temporada de Tropical Rouge, em enquadramanto de resenha do JBox.

Resenha | Tropical-Rouge! Precure: O fim de um amizade | Episódios 45 e 46 (Final)

‘Tropical-Rouge! Precure’ chegou ao fim e concluiu essa história de amizade entre uma sereia e suas amigas humanas.

Há cerca de um ano, Manatsu encontrou por acaso (ou por destino) a sereia Laura em uma praia na cidade de Aozora. Esse encontro deu início aos acontecimentos de Tropical-Rouge! Precure.

Só que tudo que tem um início, também tem seu fim. E um ano depois, Tropical-Rouge! chega o seu último episódio prometendo pôr um ponto final nessa história de amizade entre humanas e sereias.

 

A Batalha Final

Imagem: A Cure Oasis e as heroínas.
Reprodução: Toei/Crunchyroll.

Claro, antes de falar do episódio final em si, vamos falar do episódio que o antecedeu. O penúltimo capítulo de Tropical-Rouge! foi marcado pela última batalha das meninas com o Mordomo da Bruxa da Protelação.

Foi um episódio nos moldes que um grande confronto com um “chefão” de Precure merece: com magníficas cenas de ação, animação de ótima qualidade e doses de comédia bem equilibradas com toda a tensão que a situação merece.

Não houve surpresas no desenvolvimento, algo totalmente aceitável. Entretanto, o modo como as heroínas conseguiram recuperar o poder da motivação da Urna do Tolo ocorreu quase como um deus ex machina, com a rainha do Gran Ocean chegando de surpresa no meio da batalha. Seria mais aceitável se Laura já tivesse seu frasco mágico em mãos naquela luta, para que a cena fosse narrativamente menos mirabolante.

Como esperado, os três vilões principais tiveram sua redenção, mas continuaram a morar na Mansão da Bruxa, ainda que o local tenha ficado destruído. Eles, inclusive, ajudaram as garotas durante a batalha contra o Mordomo e pela primeira vez vimos de fato alguns dos poderes desses personagens – uma pena que isso tenha acontecido só agora.

O episódio terminou muito bem, com um gancho inesperado: após a batalha, a rainha entrou em contato com Laura, coroando-a como próxima rainha, mas avisando que ela poderia escolher entre ser rainha e esquecer suas amigas, ou continuar humana para sempre.

 

Amizades são inesquecíveis

Imagem: Laura, Asuka, Manatsu e Sango.
Reprodução.

Há muito para falar do episódio final de Tropical-Rouge!, pois foi um dos episódios finais mais interessantes entre as séries recentes de Precure. Para começar, o episódio não teve uma grande luta ou batalha, sendo totalmente focado na amizade de Laura com as outras garotas. Isso faz todo o sentido para essa série, que se preocupou por um longo tempo em desenvolver essa interação da sereia com as humanas.

A cena de transformação (obrigatória nas temporadas atuais de Precure), foi utilizada apenas em um sonho de Manatsu e não para uma batalha de fato. É interessante, pois mesmo após algumas grandes “batalhas finais”, os roteiristas de Precure dão um jeito de colocar uma última luta no episódio de conclusão.

Aqui isso não ocorreu e as relações humanas ganharam o foco. Foi realmente bonito ver todos os momentos das garotas com Laura, desde as cenas mais cômicas, até as mais dramáticas.

Interessante também descobrir que a máquina que faz as sereias esquecerem humanos foi criada justamente pois uma sereia ficou amiga de uma humana, mas se sentiu muito sozinha ao voltar para o reino submerso. Foi um pequeno toque do roteiro, mas de uma sensibilidade tremenda.

Quando Laura finalmente decide por voltar para Gran Ocean e começar a estudar para ser rainha, é triste ver as meninas se esquecendo de sua velha amiga sereia e vice-versa.

Mas Precure é uma série em que a felicidade sempre vence. Por isso, ao final, assim que reencontra Manatsu ao voltar para o mundo dos humanos, as duas recuperam suas memórias e se tornam amigas novamente.

Foi um final bem trabalhado, que colocou cada personagem protagonista na posição em que deveria estar, além de dar uma sensação de real finalização da história – algo que Healin’ Good em 2021, por exemplo, não conseguiu fazer, uma vez que o final daquela temporada parecia invalidar vários pontos fechados no penúltimo episódio (que funcionava melhor como episódio de conclusão).

Considerações finais

Imagem: Pôster promocional de Tropical Rouge com a precures.
Divulgação: Toei.

Embora o fim de Tropical-Rouge! tenha sido realmente excelente, a série teve seus altos e baixos (mais altos é verdade). A comédia reinou em boa parte da história e muitas vezes foi utilizada de forma eficiente.

Já a ação, que é outra característica bem marcante de Precure, ficou bem em segundo plano. A temporada nem ao menos deu aos espectadores a chance de ver as precures enfrentando os vilões principais (com exceção de Elda, por motivos óbvios) no mano a mano, algo bem comum neste anime de garotas mágicas. Claro, Chongeri e o Mordomo viraram Keros-Não no final e lutaram com as heroínas, mas não é a mesma coisa.

O lado positivo é que, quando a série se comprometeu a realizar cenas de ação, ela caprichava. O episódio 29, por exemplo, foi incrível nessa questão, além de apresentar um roteiro de tirar o fôlego.

O drama, por sua vez, demorou a ser desenvolvido e embora Precure sempre tenha tido uma grande quantidade de episódios focados em slice of life, o fato da série se focar propositalmente na vida escolar das protagonistas, fez com que algumas histórias fossem pouco interessantes (eu pessoalmente acho o episódio da pré-escola bem sem graça).

Quando a série de propos a desenrolar os dramas pessoais das protagonistas, a história começou a se desenvolver de forma mais eficiente. Ainda assim, é triste notar como o foco Manatsu/Laura deixou as outras três precures bem obscurecidas, mesmo que essas duas protagonistas sejam realmente maravilhosas em suas personalidades. Sango, por exemplo, se tornou talvez uma das cures mais esquecíveis de toda a franquia.

A mitologia da série é bacana e toda a história de Gran Ocean foi bem desenvolvida. A sensação que a série deixa é até mesmo a de um gostinho de “quero mais” em relação a apresentar mais sobre aquele universo, pois um reino de sereias é sempre algo atraente.

Uma pena apenas que, aparentemente, a história do tal “vilão” que a rainha de Gran Ocean enfrentou poucos anos antes do início de Tropical-Rouge! (e que não era a Bruxa da Protelação, que fique bem claro), não tenha sido desenvolvida e ficado em aberto. (nota: algumas vezes Precure deixa histórias em aberto que são desenvolvidas nos filmes de cada temporada. Como o atual redator não teve acesso ao filme de Tropical-Rouge! exibido nos cinemas japoneses no ano passado, fica impossível saber se essa ponta solta foi esclarecida pelo filme).

Por fim, basta dizer que, apesar dos problemas aqui citados, Tropical-Rouge! foi sim uma boa temporada. Como disse antes, os pontos positivos superam os negativos, mas é bom deixar claro alguns problemas de desenvolvimento. Esperemos agora que Delicious Party Precure mantenha o nível de sua antecessora e traga boas histórias para os fãs.

P.S.: O último episódio de Tropical-Rouge! conta com uma cena em que a protagonista Cure Precious de Delicious Party é introduzida para o público, além de uma sequência final de “passagem de bastão” entre Summer e Precious. As duas cenas foram cortadas da versão exibida no Brasil e em outras partes do mundo e, de fato, não influenciam em nada na compreensão do episódio.

Onde assistir:


Tropical-Rouge! Precure foi exibido pela Crunchyroll com legendas em português de forma simultânea com o calendário japonês. A empresa fornece ao JBox um acesso à plataforma. Confira as outras resenhas da série: episódios 1, 2-3, 4-5, 6-7, 8-10, 11-13, 14-16, 17-18, 19-21, 22-24, 25-27, 28-30, 31-33, 34-37, 38-41, 42-44.


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O texto presente nesta resenha é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site.

Onde assistir:

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